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“Brown Sugar” de D’Angelo (1995)

Mesmo já tendo conquistado um novo pico em termos de sucesso comercial, a “m;usica urbana” encontrava-se em decadência no princípio dos anos 90. O gênero estava muito centrado no hip-hop e em baladas suntuosas no estilo Whitney Houston, ignorando quase inteiramente seu passado. Como pioneiro do movimento neo-soul, D’Angelo iria contribuir para que o R&B regressasse às origens.

O cantor surgiu na cena musical aos 21 anos, com todos os atributos de uma estrela pronta para o departamento de marketing: um belo rosto, abdominais esculpidos e pronto para provar que era a ponte ideal entre Smokey Robinson, Marvin Gaye e a música soul contemporânea. Em seu álbum de estreia, Brown Sugar, D’Angelo trouxe uma atitude inquestionavelmente moderna no estilo b-boy, mas ao mesmo tempo era um som que não pareceria deslocado no Apollo dos anos 60.

A dívida para com Prince fica evidente, pois o vocalista inicia o álbum com a lenta e penetrante faixa-título e depois parece deitar-se em lençois de cetim de cor púrpura em “Jonz In My Bonz”. Certamente há uma vibração Barry White na música “Alright”, apesar de a voz em falsete do artista ser completamente diferente do profundo timbre grave de White. Smokey Robinson nunca teria cantado nada tão energético quanto “Shit, Damn, Motherfucker”, mas D’Angelo não tem problema algum em revestir a música “Cruisin’” de Robinson com tonalidades mais modernas.

Brown Sugar não foi revolucionário – foi evolucionário: uma revisão do R&B do passado usando sonoridades contemporâneas. O álbum foi um sucesso (duplo de platina) com quatro singles, preparando terreno para a tão esperada continuação que só veio em 2000 com Voodoo, que estreou direto no primeiro lugar das paradas norte-americanas.

Brown Sugar: YouTube Preview Image

Jonz In My Bonz: YouTube Preview Image

Shit, Damn, Motherfucker: YouTube Preview Image

Cruisin’: YouTube Preview Image

Lady: YouTube Preview Image

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