David Ackles trabalhava no show business desde criança, quando estrelou uma série de filmes B. No final dos anos 60, ele começou a fazer músicas de uma beleza atordoante e a Elektra o contratou, primeiro, apenas como compositor. Ele provou seu valor e ganhou um contrato para gravar cinco álbuns.
O terceiro da série, American Gothic, é, até hoje, um trabalho genial pouco valorizado, um dos álbuns mais descompromissados com a moda e mais intransigentes da música americana. Ackles pinta um retrato colorido e poético dos Estados Unidos, uma peça de teatro sombria e assustadora filtrada pela sensibilidade melódica de um compositor. Construído tijolo por tijolo, o disco se mostra mais como um drama do que como uma obra convencional de rock ou pop, bebendo de compositores clássicos modernos americanos, como Charles Ives e Aaron Copland, assim como do gospel, rock, blues e soul. Soa como um disco artístico de folk, ligando o estilo passional de contar histórias de Woody Guthrie a orquestrações de Kurt Weill.
A faixa-título é uma história triste descrevendo um drama cotidiano. “Oh, California!”, uma canção de vaudeville boêmia e jazzística, traz o vocal rouco de Ackles e pode ter servido como modelo para artistas como Tom Waits e mesmo Frank Zappa. O som diferenciado do álbum tem também muito a ver com a participação de Bernie Taupin, o criativo parceiro de Elton John.
O disco não ficou sequer entre os 150 mais vendidos nos Estados Unidos na época do lançamento. Mas este álbum original e fora de qualquer categoria merece ser procurado.


