White Ladder era, essencialmente, a última oportunidade de David Gray, um homem cuja promissora carreira se desvanecia perante os seus olhos, após breves flertes com o mainstream. Graças ao seu lento sucesso, o álbum transformou Gray, que antes era um cantor/compositor cult, admirado por poucos, numa grande estrela internacional.
Os críticos que já tinham acusado David de ser “medíocre”, apressaram-se em denunciar a simplicidade rústica do álbum, mas isso não impediu que dois milhões e duzentas mil cópias fossem vendidas na Inglaterra, enquanto que na Irlanda se tornou o álbum mais vendido de todos os tempos, sem contar as compilações. E, enquanto a indústria musical britânica continuava a lamber suas feridas, depois que Blur e Oasis não conseguiram penetrar no mercado norte-americano, White Ladder também vendeu dois milhões de cópias nos Estados Unidos sem muito ruído.
Faixas de destaque, como “Babylon” e “This Year’s Love”, são narrações acústicas contagiantes que falam do amor e das perdas cotidianas, repletas de sinceridade emocional. Mas a solidez das composições (Bob Dylan é uma influência evidente, tanto na forma de escrever como na de cantar), bem como a contribuição do multiinstrumentista “Clune” McClune e do técnico de estúdio Iestyn Polson em “Please Forgive Me” garantiram que o resto do disco nos partiria o coração, ao mesmo tempo em que nos fazia abrir um sorriso e tornava mais leves nossos passos.
A última música, “Say Hello Wave Goodbye”, uma versão do clássico do Soft Cell, provavelmente tinha sido pensada como um agradecimento de despedida de Gray aos que o haviam apoiado. Contudo, a sua bela interpretação, repleta de cordas calorosas e com uma interpretação vocal apaixonada mas digna, conquistou um novo exército de fãs que iriam mudar sua vida.





