Diretamente de Long Island, acompanhados do genial produtor Prince Paul, Posdnous, Trugoy the Dove e Pasemaster Mase apresentaram ao mundo sua verborragia alegre e caleidoscópica com seu pop puro feito de samples psicodélicos e colagens. Seriam os precursores de um estilo e de uma filosofia inicialmente mal interpretados como uma retomada rap da era do psicodelismo hippie, mas que no fundo era uma mistura de afrocentrismo com as primeiras sementes do que viria a ser o rap consciente.
Enquanto o seu contemporâneo Public Enemy forjava ruídos em uma massa compacta, baderneira e ameaçadora, o De La Soul conformava o caos em um pop clássico e cheio de alma. O afetuoso e caloroso “Eye Know” é uma alquimia de elementos de Steely Dan, Otis Redding e de “Make This Young Lady Mine”, uma obscuridade do The Mad Lads’ Volt. Mas enquanto seus amplos voos líricos em geral pintavam usando cores pastel lisérgicas, eles não se esquivavam da realidade: o pulso estranho da bateria eletrônica de Hall & Oates cria a tensão de “Say No Go”, um sóbrio hino contra as drogas. O hábil equilíbrio do grupo entre o doce e o acre fez com que esse som deslizasse suave mas firmemente junto ao grande público.
Infelizmente um sample ilícito dos The Turtles em “You Showed Me” gerou um processo judicial que criou muitos obstáculos ao método de produção do hip-hop. As novas leis criadas atrasaram o lançamento de uma série de álbuns, incluindo a continuação, De La Soul Is Dead, que acabou sendo vendido sem boa parte dos samples previstos e não teve o mesmo sucesso que 3 Feet High And Rising.



