Em março de 1990, o Depeche Mode lançou um novo álbum no que eles presumiram que seria um evento discreto na Warehouse Records, em Los Angeles. Em vez disso, cinco fãs foram hospitalizados quando, segundo dados policiais, 30 mil pessoas apareceram. Não é de se espantar que a turnê seguinte da banda tenha sido chamada de World Violation.
Estranhamente, o álbum que lhes garantiu o superestrelato era muito mais introspectivo do que seu predecessor explosivo, Music For The Masses. Apenas “Personal Jesus” – baseado num groove do músico Gary Gliter – parecia adequada para tocar em estádios. As outras faixas são as mais atraentes que Martin Gore já compôs, desde a tonalidade tecno de “World In My Eyes”, passando pela delicada “Waiting For The Night”, até a sombria “Clean” (uma descendente afastada de “One Of Theses Days”, do Pink Floyd). O tempo para trabalhar que Gora tinha conseguido ao lançar, em 1989, em EP de covers chamado Counterfield tinha trazido recompensas. O resultado foram quatro enormes sucessos, dos quais “Enjoy The Silence” teve a maior repercussão internacional.
Sofisticado mas sentimental, Violator eliminou a auto-indulgência das estranhezas de Black Celebration e Music For The Masses. Os temas instrumentais não citados na lista de músicas – “Crucified” logo após “Enjoy The Silence” e “Interlude N. 3″ após “Blues Dress” – são instigantes e encantadores.
Maravilhosamente produzido por Flood – que também trabalhou com o Nine Inch Nails e o Smashing Pumpkins -, o disco é tão coeso que muitos custaram a crer que era mesmo Gore, e não Dave Gahan, quem cantava em “Sweetest Perfection” e “Blue Dress”. Parte do crédito quanto à qualidade irrepreensível do disco não pode deixar de ser atribuída aos excelentes arranjos do tecladista Alan Wilder. Violator mostra o grupo no auge de seu sucesso e continua a soar estupendo atualmente.

















