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“Don’t Stand Me Down” de Dexy’s Midnight Runners (1985)

Don’t Stand Me Down é um feito impressionante que hoje pode ser considerado como um Pet Sounds para os anos 80. Na época, contudo, foi soterrado pela teimosia do líder Kevin Rowland, que queria superar o sucesso mundial de Too-Rye-Ay, de 1982, que tinha se tornado uma pedra amarrada em seu pescoço: tendo obtido o sucesso que tanto desejava, ele agora o detestava.

As penosas sessões de gravação desse segundo disco ansiosamente esperado tomaram todo o ano de 1984. Produtores veteranos iam e vinham: Jimmy Miller durou poucos dias, assim como Tom Dowd. A música central, “This Is What She’s Like”, começou como bluebeat alegre e acabou se tornando uma mini-ópera. “Knowledge Of Beauty” era originalmente um longo improviso em torno da pronúncia irlandesa de “Dave”. As intransigências de Rowland, tal como substituir o som de cada corda da guitarra por diferentes instrumentos de cordas ou as muitas rejeições das cores da capa, atrasaram ainda mais o lançamento.

Don’t Stand Me Down foi o exemplo mais extremo da nova visão do soul de Rowland. Contudo, quando foi finalmente lançado, em setembro de 1985, havia pouca gente pata lhe dar as boas-vindas. Embora exista um mito de que os críticos o enterraram, não foi isso o que aconteceu – sem nenhum single para acompanhar o lançamento o disco morreu antes de chegar às mãos dos compradores. Numa época de superprodução rotineira, um disco tão orgânico e meticuloso estava fadado a dividir as massas. Quando Rowland voltou ao palco, em 2003, as músicas deste álbum foram as mais bem recebidas.

This Is What She’s Like: YouTube Preview Image

Listen To This: YouTube Preview Image

“Too-Rye-Ay” de Kevin Rowland And Dexy’s Midnight Runners (1982)

Depois do sucesso de Searching For The Young Soul Rebels, Kevin Rowland não poderia imaginar a próxima etapa dos Dexy’s Midnight Runners: a maioria dos integrantes saiu da banda, houve uma mudança de gravadora e os singles “keep It Part Two”, “Plan B” e “Liars A To E” não conseguiram atingir posições significativas nas paradas de vendas. nenhum mago do marketing teria conseguido prever o plano B: Rowland convidou três violinistas especializados em música irlandesa.

O primeiro single dessa nova formação, “The Celtic Soul Brothers”, ficou fora do Top 40. Depois o naipe de metais da banda se separou, voltando como músicos contratados (por esta razão, Big Jimmy Patterson, que foi co-autor de nove músicas presentes no álbum, não está presente na fotografia da banda). Quando o Dexy’s Midnight Runners tocou ao vivo para uma emissora de rádio nacional em junho, quase ninguém na plateia sabia o que esperar. Jardineiras? Cabelos despenteados? Violinos e trompetes disputando a atenção? O discurso no meio de “There, There My Dear” em que Rowland anunciava que desistira de sua procura por jovens de alma rebelde?

“Come On Eileen” era a última chance. Sem o devido apoio promocional, permaneceu semanas nos últimos lugares das listas até que, inesperadamente, subiu para o primeiro lugar e tornou-se o single mais vendido de 1982 na Inglaterra. Na primavera do ano seguinte chegou ao primeiro lugar nos Estados Unidos. Era o primeiro sucesso da banda naquele país e o Dexy’s Midnight Runners estava agora envolto em fama de proporções mundiais.

Olhando para trás, Too-Rye-Ay, com sua produção atrapalhada e dependente de novas versões de músicas antigas, é o pior dos três álbuns da banda. Contudo, se este for o pior disco de sua coleção, você merece cumprimentos sinceros.

Plan B: YouTube Preview Image

Liars A To E: YouTube Preview Image

The Celtic Soul Brothers: YouTube Preview Image

Come On Eileen: YouTube Preview Image

Let’s Make This Precious: YouTube Preview Image

Until I Believe In My Soul: YouTube Preview Image

“Searching For The Young Soul Rebels” dos Dexy’s Midnight Runners (1980)

Kevin Rowland e Kevin “Al” Archer, ex-membros do grupo punk The Killjoys, formaram os Dexy’s Midnight Runners em Birmingham, na Inglaterra, em julho de 1978. O nome vem de Dexedrina, pílulas de anfetamina muito populares nos anos 60.

Depois de vários shows com os The Specials – cujo público incluía muitos skinheads -, Rowland decidiu que a era pós-punk precisava de um visual durão, baseado na imagem das gangues. Os estivadores de Nova York do filme Sindicato de Ladrões e os ítalo-americanos de Caminhos Perigosos serviram de inspiração para a conhecida imagem do grupo que incluía gorros de lã e casacos de couro.

O single “Geno” juntava o tributo poético de Rowland para o cantor de soul Geno Washington com a música forte de Archer, incluindo um irresistível riff de metais plagiado da Washington And The Ram Jam Band sobreposto a uma sólida seção rítmica. A música, puxada por um naipe de metais composto por Big Jim Paterson no trombone, Jeff Blythe no sax e Steve Spooner no sax alto, entrou nas paradas de sucesso inglesas e tornou-se uma das favoritas nos shows da banda.

O primeiro LP ficou à altura do single. Começa com o som de um rádio sintonizando estações, seguido por um grito de “For God’s sake burn it down”, e então entra a música. A faixa era uma nova versão do single de estreia “Dance Stance”, uma crítica virulenta de Rowland às piadas antiirlandeses. Outros grandes momentos incluem o dueto entre Rowland e Archer em “Tell Me When My Light Turns Green”, uma versão acelerada de “Seven Days Too Long”, um conhecido soul de Chuck Wood. “There, There My Dear” (outro hit na Inglaterra) fecha o disco com chave de ouro.

Bem-vindos a uma nova visão do soul.

Geno: YouTube Preview Image

Tell Me When My Light Turns Green: YouTube Preview Image

Seven Days Too Long: YouTube Preview Image

There, There My Dear: YouTube Preview Image

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