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“Bug” do Dinosaur Jr. (1988)

Poucas bandas têm um nome tão adequado como o Dinosaur Jr., um trio que fundia as influências jurássicas do rock tradicional com uma necessidade impetuosa e quase infantil de expressas uma fúria raivosa, o que lhes deu a reputação de serem os legítimos herdeiros do Sonic Youth ao trono de senhores supremos dos ruídos de vanguarda. Essa combinação de sons antigos e novos tornou-se os pioneiros do rock independente americano – ruidosos, caóticos e melódicos ao mesmo tempo, o seu estilo seria uma grande influência para inúmeras bandas da geração slacker. Bug foi o terceiro e último álbum da banda na sua formação original. O guitarrista e vocalista J. Mascis expulsou o baixista Lou Barlow (que depois iria formar o Sebadoh) no ano seguinte.

Dinosaur Jr. era a banda de J. Mascis: além de anotar cuidadosamente cada música, também dizia aos seus companheiros como tocar suas partes. Apesar desse controle autoritário, cada integrante da banda toca como um virtuoso enraivecido, quase como forma de protesto, e os benefícios podem ser claramente notados em faixas como “Freak Scene” (que alcançou o top das listas indie inglesas) e “They Always Come”. As melodias elaboradas de Mascis se sobrepõem aos sons de guitarra mais densos (gravados em vários canais e sobrepostos) desse gênero. As linhas de baixo inovadoras do baixista Lou Barlow parecem entrar e sair das melodias enquanto o baterista Murph aumenta a agressividade do som com viradas rápidas, inspiradas pelo heavy metal.

Mascis estava consciente da importância de melodias contagiosas. Obviamente um fã do rock e do folk clássicos, as suas melodias e a sua performance como vocalista fazem lembrar Neil Young, especialmente em “Pond Song” e “Keep The Glove” – nas quais canta melodias tão antigas como o próprio rock por cima do caos sonoro juvenil criado pelo resto da banda.

Freak Scene: YouTube Preview Image

They Always Come: YouTube Preview Image

Pond Song: YouTube Preview Image

Keep The Glove: YouTube Preview Image

Yeah We Know: YouTube Preview Image

“You’re Living All Over Me” do Dinosaur Jr. (1987)

Com seu título retirado de algo que J. Mascis vociferou durante uma de suas explosões de raiva dentro de um ônibus de turnê, You’re Living All Over Me captou toda a essência da besta turbulenta e disfuncional que era o Dinosaur Jr. no ponto mais alto de sua carreira. Puxado por choques intensos entre o altivo e arredio guitarrista Mascis e o emotivo baixista Lou Barlow, a fusão apaixonada do Dinosaur Jr. de riffs, de heavy, melodias country e ruído pós-punk era uma mistura volátil e explosiva, tal como o grupo.

A música de abertura é “Little Fury Things” (com a colaboração do “Dino-fã” Lee Ranaldo, do Sonic Youth, nos backing vocals), uma declaração de intenções: dar ao rock formas novas e mais radicais, até que seis clichês voltassem a ser expressivos novamente. Assim, “Sludgefeast” apresenta fantasias sonhadoras sobre riffs pesados inspirados no Black Sabbath, enquanto “The Lung” eleva uma pequena e tola cantiga ao status de rock alternativo no estilo do Lynyrd Skynyrd graças aos solos fluidos e vigorosos de Mascis. No restante do álbum, o Dinosaur Jr. explora territórios de influência industrial: muros de ruído engolem a sonolenta “Tarpit”. Das duas músicas de Barlow, o folk viajante de “Poledo” foi composto na solidão da sua casa. “Tinha começado a fumar um baseado” – disse o baixista – “e tudo estava soando maravilhosamente bem!”.

Na turnê que se seguiu ao lançamento, as tensões internas chegaram a extremos insuportáveis. Em 1988, Bug foi lançado, mas foi o último trabalho do grupo. Durante os valiosos 40 minutos de You’re Living All Over Me, contudo, a banda conseguiu produzir uma bela – ainda que passageira – harmonia.

Little Fury Things: YouTube Preview Image

Sludgefeast: YouTube Preview Image

The Lung: YouTube Preview Image

Tarpit: YouTube Preview Image

Poledo: YouTube Preview Image

In A Jar: YouTube Preview Image

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