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“Trio” de Dolly Parton, Linda Ronstadt e Emmylou Harris (1987)

Embora muitas vezes cantores country se juntem para gravar singles de sucesso, poucas colaborações entre grandes estrelas geraram bons álbuns inteiros. Contudo, a formidável equipe formada por Dolly Parton, Linda Ronstadt e Emmylou Harris conseguiu criar um som gloriosamente harmônico neste fascinante Trio.

O disco não poderia ter saído em época melhor para Parton e Ronstadt. Parton tinha passado grande parte dos anos 80 cortejando o grande público com reluzentes canções pop como “Islands In The Stream”. Ronstadt tinha se afastado de suas raízes na cena country-folk de Los Angeles e estava gravando standards do pop. Nenhuma das duas podia se queixar de sua situação econômica – What’s New, de Linda Ronstadt, vendeu dois milhões de cópias, e Dolly Parton conseguiu colocar 12 hits no Top 10 em cinco anos -, mas ambas tinham perdido algo. Talvez fosse a autenticidade de seus primeiros trabalhos, algo que as duas iriam recuperar quando entraram em estúdio com Emmylou Harris, uma das cantoras de Nashville mais constantes de todos os tempos.

Acompanhadas por uma banda coesa na qual figuravam David Lindley e Ry Cooder, as três superestrelas fundiram as suas vozes intuitivamente neste brilhante colaboração de country old-school, faixas tradicionais de tom solene e baladas pop. Ainda que muitos solos se destaquem, o melhor do álbum são as belas harmonias encontradas em “Making Plans” e a glória discreta de “To Know Him Is To Love Him”, música de Phil Spector.

Trio foi um sucesso comercial e de crítica. Ganhou um disco de platina, um Grammy e gerou uma continuação anos mais tarde, Trio II, de 1998.

To Know Him Is To Love Him: YouTube Preview Image

Those Memories Of You: YouTube Preview Image

“Coat Of Many Colors” de Dolly Parton

Dolly Parton deixou sua vila de mineiros nos Apalaches, rumo a Nashville, em 1965. Em duas semanas, ela conseguiu um conseguiu um contrato com uma gravadora; em dois anos, um hit. Em 1970, Dolly já colecionava tantos sucessos que a RCA lançou um álbum com seus melhores singles, mas foi Coat Of Many Colors, de 1971 – um disco só de canções próprias -, que a firmou como uma das cantoras e compositoras mais originais da música country.

Na faixa-título, Parton fala da pobreza do campo não como uma experiência trágica, mas como algo que une uma família – seu casaco de retalhos foi costurado por sua mãe com tanto amor que Dolly se sentia abençoada. O álbum continua nesse tema, cada canção repleta de experiência de vida e de sabedoria caseira. A voz de soprano de Parton força um vibrato agudo quando a paixão a domina – ela é uma cantora muito convincente – e o time de músicos de Nashville que a acompanha mostra um toque de mestre, decorando cada música com linhas fluidas e melódicas.

Coat Of Many Colors é um modelo de economia. Suas 10 canções duram menos de 30 minutos e os sentimentos expressados contribuíram para reafirmar os valores de uma classe de trabalhadores rurais brancos que se achava cada vez mais alienada pelo pop e pelo rock. A capa do álbum, que traz o retrato de uma menina num tipo de pintura muito popular antes de surgir a fotografia, mais uma vez reflete as raízes de Parton. O público já amava Dolly, mas Coat Of Many Colors ganhou a simpatia dos críticos, que perceberam estar lidando com uma cantora e compositora de grande talento.

Parton, mais adiante, se mostrou uma das artistas mais conscientes e constantes do showbiz. Coat Of Many Colors continua sendo sua obra-prima.

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Traveling Man: YouTube Preview Image

She Never Met A Man She Didn’t Like: YouTube Preview Image

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