Quando Buddy Holly morreu num acidente aéreo, em fevereiro de 1959, Don McLean era um entregador de jornais de 13 anos. As manchetes que ele leu plantaram as sementes para sua melhor música, um épico de oito minutos e meio que chegou ao primeiro lugar das paradas americanas e, por sua duração e referências obscuras – no estilo de Bob Dylan, Mick Jagger e os Beatles -, pode ser visto como uma elegia aos anos 60.
A faixa eclipsou injustamente o segundo single retirado do álbum, “Vincent”, que chegou ao topo das paradas em meados de 1972. Era também uma música inspirada por uma figura lendária, o pintor holandês Vincent Van Gogh, que, atormentado por seus demônios interiores, em sua busca da perfeição, cortou parte de uma orelha. Todas as músicas do disco foram escritas por McLean, exceto a tradicional “Babylon”, com arranjos dele mesmo, em parceria com Lee Hays, dos Weavers, que ensinou a ele essa arte. Outra faixa, “Crossroads”, é muito bem construída – tanto em termos de tema como de música – e merece mais status do que o de estar neste álbum.
“American Pie” foi inspirada num gigante do rock ‘n’ roll, mas sua raiz está no folk, como se depreende da interpretação acústica, no estilo de Gordon Lightfoot (“Everybody Loves Me, Baby”, um rock, é a faixa mais fraca do disco). McLean já tinha trabalhado com o famoso Pete Seeger, mas seu álbum de estreia (que chegou às paradas na esteira de “American Pie”) foi, segundo consta, rejeitado por 34 gravadoras, apesar de conter o clássico “And I Love You So” (dizem que McLean se recusou a ceder os direitos autorais para as gravadoras e, assim, foi quem riu por último).







