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“The Nightfly” de Donald Fagen (1982)

“As músicas deste álbum representam algumas fantasias que podem ter sido nutridas por um jovem que cresceu nos subúrbios remotos de uma cidade do Nordeste americano durante os últimos anos da década de 50 e princípios de 60″, escreveu Donald Fagen na contracapa de The Nightfly. No final do texto, ele confirmava o que havia insinuado: “Por exemplo, alguém com a minha estatura, o meu peso e as mesmas características gerais”.

Enquanto o Steely Dan falava, com uma indiferença seca e sarcástica, sobre a vida na Califórnia nos anos 70, o primeiro disco solo de Fagen recordava os seus anos de formação com pouca de sua habitual ironia. O cantor passou a infância em Kendall Park, New Jersey, distanciando-se de seus sonhos românticos adolescentes (detalhados na deliciosa “Maxine”) ao escutar obsessivamente jazz no rádio, transmitido ao seu quarto diretamente da terra prometida de Nova York. Tanto na faixa-título (“Uma estação independente / WJAZ, com jazz e conversas”) como na fotografia da capa (o disco no canto inferior esquerdo é Sonny Rollins And The Contemporary Leaders) ele presta uma homenagem nostálgica aos grandes dias do rádio. Há também uma referência ao rock ‘n’ roll em uma versão de “Ruby Baby”, um sucesso de Dion quando Fagen tinha 15 anos de idade.

Há uma pequena ironia, ainda que não pareça ter sido premeditada. Apesar do estilo pré-Beatles, The Nightfly tinha um som mais moderno do que qualquer álbum do Steely Dan. Produzido por Gary Katz com o famoso engenheiro de gravação Roger Nichols – ambos trabalhavam com o Steely Dan havia bastante tempo -, foi o primeiro disco importante gravado apenas em equipamento digital e continua sendo cultuado pelos “audiófilos”.

Maxine: YouTube Preview Image

The Nightfly: YouTube Preview Image

Ruby Baby: YouTube Preview Image

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