Os confrontos entre rappers raramente são enfadonhos. Podem se transformar em verdadeiras batalhas campais e chegar até mesmo ao homicídio. Antes da matança começar, contudo, o duelo ocorre na parada da Billboard.
Em 1992 era Eazy E. contra Dr. Dre. Ambos colocaram o gangsta rap no mapa com seu trabalho no NWA, depois caíram em brigas por dinheiro. Dr. Dre acabou sendo resgatado pelo agente de rap Suge Knight e, juntos, formaram a empresa Death Row. O primeiro ataque foi com The Chronic, onde ele cai em cima de Eazy E. da primeira à última (e não listada) faixa.
Eazy E. respondeu com It’s On (Dr. Dre) 187um Killa, que acusava Dr. Dre de ser um “gangster de estúdio” e se gabava de ter uma cláusula contratual que lhe dava parte dos direitos autorais de Dr. Dre. Chegou a disco de platina, mas foi muito malvisto por soar suspeitosamente parecido com uma produção de Dr. Dre e, ao contrário do The Chronic, não ficou à altura de Nevermind na corrida pelo título de álbum mais influente da década.
As armas secretas de Dr. Dre eram o jovem e brilhante MC Snoop Dogg – cujas patas estavam espalhadas pelo disco – e também The Lady Of Rage, The D.O.C. e Kuruput. A maioria dos produtores simplesmente juntava uma batida às suas rimas, mas Dre criou um novo gênero, o G-funk, onde a brutalidade do rap foi substituída pelo estilo mais largado do soul dos anos 70. Os sucessos “Let Me Ride” e “Nuthin’ But A ‘G’ Thang” estão no mesmo nível de “Lil’ Ghetto Boy”, baseada em Donny Hathaway. Mesmo quando Dre se limita a acrescentar um loop de bateria, o resultado é espantoso – basta ouvir “Lyrical Gangbang”, baseada no Led Zeppelin. A tensão entre Dre e Eazy continuou até a morte deste último em 1995. Dre disse: “Ele pode fazer um milhão de discos sobre mim, se quiser. Só está aumentando a minha fama”.






