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“Dusty In Memphis” de Dusty Springfield

Em 1968, não dava mais para se enganar. O pop havia virado rock e as cantoras não estavam conseguindo ter sucesso. Dusty não era exceção: seu último hit de alguma importância nos Estados Unidos e na Inglaterra era de meados de 1966. No entanto, Ahmet Ertegun, o cérebro visionário da Atlantic Records, sabia que ela era ainda tão boa quanto Aretha Franklin, e queria colocá-la num estúdio com a mesma banda que tinha levado às paradas Franklin, Wilson Pickette e The Box Tops.

Quando Dusty chegou a Memphis, porém, ficou horrorizada com o material escolhido (baladas adultas clássicas, em vez de um funk ousado) e exigiu que tudo fosse trabalhado antes da gravação – sua voz seria acrescentada na mixagem final (os músicos e produtores queriam algo espontâneo, com Dusty cantando apenas em cima da base rítmica). A cantora perdeu a paciência e brigou com todo mundo, acusando os produtores de serem prima-donas; cinzeiros voaram e as sessões foram canceladas. Dusty voltou a Nova York para gravar num clima um pouco mais ameno.

O resultado, no entanto, não podia ter sido melhor. Apesar do acesso de fúria de Dusty, o material é top de linha, feito por excelentes compositores no auge da carreira. Os arranjos são incríveis e os vocais, imperiosos. O primeiro single, “Son Of A Preacher Man”, a levou de volta à lista de 10 Mais das paradas.

Somente um ano depois é que Dusty conseguiu ouvir o álbum. O público não foi tão condescendente: apesar das críticas entusiasmadas, Dusty In Memphis foi um fracasso, não passando do desapontador 99o lugar (nos Estados Unidos). Sua carreira jamais se recuperou.

Son Of A Preacher Man: YouTube Preview Image

Just A Little Lovin’:YouTube Preview Image

Don’t Forget About Me: YouTube Preview Image

Breakfast In Bed: YouTube Preview Image

No Easy Way Down: YouTube Preview Image

“A Girl Called Dusty” de Dusty Springfield (1964)

Desde o começo, Dusy Springfield era uma espécie de esquizofrênica musical. Seus muitos sucessos eram, na maioria, um pop de patricinha (“I Only Want To Be With You”, seu primriro hit na Inglaterra, foi também a primeira música tocada no programa de Tv Top Of The Pops), mas a moça estava mais interessada nos ritmos soul da Motown, Atlantic e Scepter – este último, o selo que lançou 40 sucessos de Dionne Warwick e 25 das Shirelles.

O delicioso A Girl Called Dusty – o primeiro LP de Dusty e, talvez, o melhor – tinha uma versão da Motown (o primeiro hit das Supremes a entrar na lista dos 30 Mais dos Estados Unidos), uma das Shirelles e duas de Warwick, assim como um material menos conhecido, como “Do Re Mi”, de Lee Dorsey, ou o hino feminista “You Don’t Own Me”, de Lesley Gore.

É significativo que uma artista branca, naquele tempo, tenha regravado essas músicas com o mesmo calor e espírito agudo dos originais, o que ajudou Dusty a se tornar uma das melhores cantoras de soul da Inglaterra (seu respeito pelo R&B e o soul se estendeu a outras áreas – ela foi deportada da África do Sul naquele mesmo ano por tocar para uma plateia sem segragação).

Poucas cantoras conseguiam transmitir a dor de amar de forma tão convincente como Dusty Springfield. Mesmo neste álbum de estreia ela já merecia ser chamada de uma cantora de primeira, como em “Anyone Who Had a Heart” e na melancólica “My Colouring Book” – um território musical que ela exploraria profundamente, mais tarde, em tours de force como sua versão de “If You Go Away”, de Jacques Brel.

E tudo isso vindo de uma menina educada num convento.

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