Tinha o estilo certo desde o início: um homem alto usando um grande chapeu, botas de cauboi e jeans incrivelmente apertados. Acima de tudo, Dwight Yoakam cantava um honky-tonk puro como se fosse um anjo perdido ou caído. O seu primeiro disco, Guitars, Cadillacs, etc., etc., de 1986, tinha sido uma joia preciosa. O seguinte, Hillbilly Deluxe, era ainda melhor. O seu terceiro, então, foi o máximo.
E “Buenas Noches From A Lonely Room (She Wore Red Dresses)” era a sua melhor música. Uma poética e comovente confissão de ciúmes, vingança e assassinato, interpretada com uma voz tenra e vibrante. “Streets Of Bakersfield” (com Flaco Jimenez no acordeão) era uma das músicas favoritas de Buck Owens e, de algum modo, Yoakam conseguiu tirá-lo de sua aposentadoria para cantar nesta faixa (abrindo assim um novo capítulo na carreira de Owens, que, naquela época, tinha 58 anos). Por sua vez, “I Sang Dixie” dignificava gentilmente o Sul rebelde e, em “Hold On To God”, Yoakam abraçava a música gospel, embora com um pequeno viés.
Tendo nascido e crescido no Kentucky, o jovem Yoakam tinha sido considerado “demasiado country para Nashville”, por isso mudou-se para a Califórnia, provavelmente um lugar mais adequado ao seu estilo. Yoakam misturava influências do country com outras tão diversas como Elvis Presley, lefty Frizzell, os Beatles e Creedence Clearwater Revival. Chamado de “novo tradicionalista”, soava inovador e tradicional ao mesmo tempo. Nashville pode não ter aprovado, mas ele não podia ser calado. Os críticos elogiaram e as vendas dispararam.




