Enquanto o U2 e o Simple Minds tocavam em estádios, o grupo Echo And The Bunnymen percorria as ilhas da costa oeste da Escócia. Ocean Rain é a prova do que, em última instância, essa escolha foi mais compensadora.
Épico e romântico, porém menos hermético do que os anteriores, este álbum conta com arranjos orquestrais que dão outra dimensão às músicas. Pela primeira vez, Pete de Freitas toca sua bateria de forma mais suave, usando escovas e pratos em vez das rufadas de tom-tons. Ian McCulloch canta em voz pungente e modulada versos que deixaram de lado a auto-indulgência em favor da afetividade e do lirismo. Além de acrescentar cordas suntuosas, a orquestra amplia a dinâmica que é a alma de Ocean Rain. Os extremos são exemplificados por “Thorn Of Crowns” – com McCulloch gritando e rugindo entre efeitos, sobre uma base movimentada – e o épico rock com arranjo de cordas que dá título ao disco.
A confiança da banda ao criar Ocean Rain significa que ele sobreviveu ao teste do tempo melhor que qualquer outro álbum da banda. “É nossa mais definitiva declaração”, disse McCulloch. De fato, foi a primeira vez que entraram no Top 100 norte-americano. “The Killing Moon”, o primeiro single nostálgico, reapareceu na trilha sonora de Donnie Darko.
A foto da capa, numa gruta banhada em azul, remete aos mistérios da natureza. Para Bill Drummond, como produtor, Ocean Rain foi o fim do caminho – o KLF estava à sua espera. Como o Echo And The Bunnymen poderia se superar?













