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“Ocean Rain” do Echo And The Bunnymen (1984)

Enquanto o U2 e o Simple Minds tocavam em estádios, o grupo Echo And The Bunnymen percorria as ilhas da costa oeste da Escócia. Ocean Rain é a prova do que, em última instância, essa escolha foi mais compensadora.

Épico e romântico, porém menos hermético do que os anteriores, este álbum conta com arranjos orquestrais que dão outra dimensão às músicas. Pela primeira vez, Pete de Freitas toca sua bateria de forma mais suave, usando escovas e pratos em vez das rufadas de tom-tons. Ian McCulloch canta em voz pungente e modulada versos que deixaram de lado a auto-indulgência em favor da afetividade e do lirismo. Além de acrescentar cordas suntuosas, a orquestra amplia a dinâmica que é a alma de Ocean Rain. Os extremos são exemplificados por “Thorn Of Crowns” – com McCulloch gritando e rugindo entre efeitos, sobre uma base movimentada – e o épico rock com arranjo de cordas que dá título ao disco.

A confiança da banda ao criar Ocean Rain significa que ele sobreviveu ao teste do tempo melhor que qualquer outro álbum da banda. “É nossa mais definitiva declaração”, disse McCulloch. De fato, foi a primeira vez que entraram no Top 100 norte-americano. “The Killing Moon”, o primeiro single nostálgico, reapareceu na trilha sonora de Donnie Darko.

A foto da capa, numa gruta banhada em azul, remete aos mistérios da natureza. Para Bill Drummond, como produtor, Ocean Rain foi o fim do caminho – o KLF estava à sua espera. Como o Echo And The Bunnymen poderia se superar?

Thorn Of Crowns: YouTube Preview Image

Ocean Rain: YouTube Preview Image

The Killing Moon: YouTube Preview Image

“Porcupine” do Echo And The Bunnymen (1983)

Porcupine dividiu a crítica e os admiradores. Talvez, levando-se em conta a gênese conturbada do álbum e o pensamento sensível por trás dele, isso fosse inevitável. O grupo tinha achado muito fácil compor Heaven Up Here, de 1981. O terceiro álbum da banda, precedido por um período de bloqueio criativo, foi o oposto.

Porcupine apresentava letras mais autobiográficas do cantor Ian McCulloch que afastaram muitos por serem tão afiadas – inclusive a gravadora WEA, que classificou o disco de pouco comercial. Ainda que pareça estranho, a banda, com exceção do guitarrista Will Sergeant, estava de acordo com a ideia e voltou ao estúdio para utilizar a primeira versão como ponto de partida para uma segunda tentativa.

Essa confusão explica, em parte, o poder de Porcupine. Seu primeiro single, “The Back Of Love” – música ao mesmo tempo rápida e sonhadora -, destilava perfeitamente as sensações de admiração e estranheza que só o grupo conseguia conjurar: quem mais poderia “partir a espinha do amor” de forma tão festiva?

O violinista indiano Shankar gravou uma introdução de cítara e um refrão para o segundo single, “The Cutter”, mas isso não agradou a ninguém da banda. O agente Bill Drummond também gravou uma seção de trompetes. Apesar de descontente, a banda acabou admitindo que a música havia melhorado. O público inglês concordou: “The Cutter” chegou ao oitavo lugar em 2003 e a colocação mais alta do álbum foi um segundo lugar.

Por todas essas razões, nunca foi um álbum fácil de se escutar. O isolacionismo de McCulloch e sua interpretação cada vez mais operística foram suavizados pela produção e por sons orientais. Menos acessível e mais torturante quando ouvido pela primeira vez, Porcupine recompensa os ouvintes mais persistentes.

The Back Of Love: YouTube Preview Image

The Cutter: YouTube Preview Image

Higher Hell: YouTube Preview Image

“Crocodiles” do Echo And The Bunnymen (1980)

Repleto de uma pesada fatalidade introspectiva e simultaneamente críptico e c;austico, Crocodiles marcou a estreia do Echo And The Bunnymen em LP e em um importante selo, colocando o grupo em evidência na cena da música alternativa.

Ian McCulloch, Will Sergeant e Les Pattinson estavam juntos desde uma performance alquímica no clube Eric, em Liverpool, no ano de 1978. O single Pictures On My Wall, lançado pela Zoo Records de Bill Drummond, tinha recebido uma acolhida calorosa por parte da imprensa e tanto as sessões para o DJ John Peel como os shows em Londres despertaram a atenção das grandes gravadoras.

O Echo And The Bunnymen destacava-se dos outros grupos: a voz profunda e as letras enigmáticas de McCulloch fundiam-se com a guitarra sombria e distorcida de Sergeant para criar uma música profundamente emotiva. A sua bateria eletrônica (batizada de Echo) tinha sido substituída por Pete de Freitas.

O álbum foi gravado em três semanas, em junho de 1980, nos estúdios Rockfield, no País de Gales. Hermético, perturbador e com um tom de urgência, o LP traz músicas que duram, na maioria, menos de três minutos e cada faixa é uma joia negra. O lado A penetra sob a pele aos poucos, conduzindo pelo baixo e a guitarra dissonante. “Stars Are Stars” cria uma justaposição de desespero e otimismo que posteriormente iria definir o som do grupo.

O lado B abre com “Rescue”, uma música que McCulloch considera um triunfo pessoal, e continua com a bad trip de ácido de “Villiers Terrace”, terminando com a melancolia de “Happy Death Men”.

A fotografia da capa, tirada em um bosque do sudeste da Inglaterra, deu o tom para toda uma década de fotografias do grupo, ao mesmo tempo misterioro e altivo. McCulloch usa um sobretudo roubado de Mark E. Smith, líder do The Fall.

Stars Are Stars: YouTube Preview Image

Rescue: YouTube Preview Image

Villiers Terrace: YouTube Preview Image

Happy Death Men: YouTube Preview Image

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