“O Blur não vai fazer sucesso nenhum nos Estados Unidos” – afirmou Courtney Love para a plateia de um festival na Grã-Bretanha em 1995, “mas o Elastica sim!”. Ela estava certa, pois este grupo conseguiu um disco de ouro nos Estados Unidos, tocou no Lollapalooza e entrou para o Top 100 com as músicas “Connection” e “Stutter”, joias que brilharam depois do britpop ter sumido.
Numa época em que muitos julgavam que o estilo cool da Inglaterra iria se impor ao “Tio Sam”, Justine Frischmann tinha credenciais impecáveis: foi integrante do Suede (“See That Animal” foi composta em conjunto com Brett Anderson, também do Suede), vivia com o vocalista do Blur, Damon Albarn (que é mencionado no Elastica sob o pseudônimo de Dan Abnormal) e era líder da banda mais “descolada” desde Chrissie Hynde. As suas músicas, livres do peso dos solos ou de “conceitos”, eram rápidas e curtas. “Se quiser ouvir o refrão de novo”, declarou ela, “volte a música”. As nova e serpenteantes músicas continham, entretanto, suas peculiaridades: “Connection” começa com sons de abalos sísmicos, o baterista Justin Welch vomita em “Line Up” (deixando claro o sentido de “toda essa merda na indústria musical, o tipo de coisa que deixa Justine enjoada”) e a música “Car Song” é graciosamente obscena.
Os jornalistas que tinham elogiado as pilhagens musicais do Oasis não tardaram a criticar o Elastica por terem plagiado “No More Heroes”, dos Strangers, para fazer “Waking Up” e depois “Three Girl Rhumba”, do Wire, para “Connection”. O Elastica acabou cedendo parte de seus direitos autorais para seus padrinhos da new wave. Curiosamente, a música “Girls And Boys” do Blur tinha uma linha de baixo muito parecida com “Line Up”. “Não falamos a respeito”, disse Frischemann, “são coisas que podem causar divórcios”. Seja como for, o Elastica continua quicando lindamente hoje em dia.






