Jeff Lynne era um homem com ambições sérias. Isso ficou claro desde o começo, quando ele e dois outros ex-integrantes do grupo de pop psicodélico The Move anunciaram que iriam partir de onde os Beatles haviam parado com “I’m The Walrus”. Mas, mesmo para os padrões de Lynne, Out Of The Blue era um projeto corajosamente ambicioso – um álbum duplo da extensão da galáxia, misturando art rock espacial, pop no estilo dos beatles e arranjos orquestrais aveludados.
Apesar do tamanho, Out Of The Blue não contém muita gordura. O álbum começa com um trio de canções que se alinham entre as melhores da Electric Light Orchestra (ELO) – as vertiginosas “Turn To Stone”, “Sweet Talkin’ Woman” e “It’s Over”, uma música produzida de forma meticulosa, que dá mostras do trabalho que Lynne desenvolveria, mais tarde, com George Harrison. O disco se inspira tanto em Chuck berry como em Beethoven ao trazer rocks como “Birmingham Bues” e a sinfônica “Concerto For A Rainy Day”, que ocupa todo um lado, e chega ao clímax com “Mr. Blue Sky”. O fecho glorioso é “Wild West hero”, com seu refrão no estilo Paul McCartney.
Lançado no auge da onda disco, Out Of The Blue foi considerado por alguns como um peixe futurista fora d’água (a capa, uma espécie de nave espacial, era, na verdade, uma ampliação, desenvolvida pelo ilustrador Shusei Nagaoka, da logomarca em forma de disco voador do LP anterior da banda, New World Record). No entanto, o álbum foi um sucesso absoluto, ganhou o disco de platina e colocou a banda na estrada numa das turnês mais ambiciosas dos anos 70.







