Os anos transcorridos entre a gravação de Either/Or e de Figure 8 foram turbulentos para Elliott Smith. Em 1997, seus amigos começaram a se preocupar com o seu alcoolismo e com o seu comportamento autodestrutivo. Por influência deles, Elliott passou uma curta temporada num hospital psiquiátrico no Arizona. Foi uma experiência infeliz.
A presença de sua música na trilha sonora do filme Gênio Indomável rendeu-lhe uma indicação ao Oscar de Melhor Canção Original. Tal exposição de seu trabalho levou-o para uma nova gravadora, a Dreamworks, resultando em uma produção de estúdio mais caprichada. Isso fica evidente em Figure 8, com várias camadas e diversos canais de cordas e arranjos mais elaborados em músicas como “Everything Means Nothing To Me”.
Como nos discos anteriores, o lirismo melancólico de Elliott Smith vem acompanhado por momentos de otimismo, e é possível imaginar que esse ânimo elevado esteja mais evidente em Figure 8. Será que a mudança para um clima mais quente teve alguma influência em seu trabalho? Smith acabou fixando residência em Los Angeles após um longo período de nomadismo. A canção “L.A.” resume tudo, equilibrando-se entre a libertação e a desolação, com harmonias animadas da Costa Oeste acompanhando o refrão “Last night I was about To throw it all away” (“Noite passada eu estava prestes a deixar tudo para trás”).
Em “In The Lost And Found (Honky Bach)”, Smith utiliza o mesmo piano do estúdio Abbey Road que Paul McCartney tocara em “Penny Lane”. Como fã de longa data dos Beatles, isso acabou lhe dando grande satisfação e também permitiu aos críticos fazerem comparações com os Fab Four. Eles tinham razão ao afirmar que este disco se aproximava da grandeza. Brilhante, melancólico e influente.
Everything Means Nothing To Me: 












