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“Figure 8″ de Elliott Smith (2000)

Os anos transcorridos entre a gravação de Either/Or e de Figure 8 foram turbulentos para Elliott Smith. Em 1997, seus amigos começaram a se preocupar com o seu alcoolismo e com o seu comportamento autodestrutivo. Por influência deles, Elliott passou uma curta temporada num hospital psiquiátrico no Arizona. Foi uma experiência infeliz.

A presença de sua música na trilha sonora do filme Gênio Indomável rendeu-lhe uma indicação ao Oscar de Melhor Canção Original. Tal exposição de seu trabalho levou-o para uma nova gravadora, a Dreamworks, resultando em uma produção de estúdio mais caprichada. Isso fica evidente em Figure 8, com várias camadas e diversos canais de cordas e arranjos mais elaborados em músicas como “Everything Means Nothing To Me”.

Como nos discos anteriores, o lirismo melancólico de Elliott Smith vem acompanhado por momentos de otimismo, e é possível imaginar que esse ânimo elevado esteja mais evidente em Figure 8. Será que a mudança para um clima mais quente teve alguma influência em seu trabalho? Smith acabou fixando residência em Los Angeles após um longo período de nomadismo. A canção “L.A.” resume tudo, equilibrando-se entre a libertação e a desolação, com harmonias animadas da Costa Oeste acompanhando o refrão “Last night I was about To throw it all away” (“Noite passada eu estava prestes a deixar tudo para trás”).

Em “In The Lost And Found (Honky Bach)”, Smith utiliza o mesmo piano do estúdio Abbey Road que Paul McCartney tocara em “Penny Lane”. Como fã de longa data dos Beatles, isso acabou lhe dando grande satisfação e também permitiu aos críticos fazerem comparações com os Fab Four. Eles tinham razão ao afirmar que este disco se aproximava da grandeza. Brilhante, melancólico e influente.

Everything Means Nothing To Me: YouTube Preview Image

L.A.: YouTube Preview Image

In The Lost And Found (Honky Bach): YouTube Preview Image

Junk Bond Trader: YouTube Preview Image

Easy Way Out: YouTube Preview Image

“Either/Or” de Elliott Smith (1997)

Dentre os cantores/compositores atuais há poucos capazes de igualar o nível de intimismo de Elliott Smith. As técnicas de gravação lo-fi e caseiras que usou em seus primeiros trabalhos, documentadas em entrevistas ao fanzine Tape Op, a sua voz frágil e a delicadeza com que toca a guitarra, as letras ternas e por vezes cheias de uma atitude “fuck you” atraem inexoravelmente o ouvinte para o mundo do artista.

Either/Or foi o terceiro álbum solo de Smith e talvez seja o seu melhor trabalho. Ele levou quase doze meses para gravar este disco em vários locais, incluindo o seu próprio apartamento e o da sua namorada. O título do disco homenageia um tratado do filósofo Soren Kierkegaard. O processo de produção foi agonizante: “Gravei 30 músicas para o disco e não conseguia escolher sequer uma de que gostasse”, declarou Smith à Rocket, numa entrevista em 1997. Várias dessas músicas foram utilizadas algum tempo depois na trilha sonora de Gênio Indomável, de Gus Van Sant, que Smith conheceu quando vivia em Portland. A publicidade que o filme proporcionou reavivou o interesse por Either/Or.

“Ballad Of Big Nothing” é um reconfortante hino à liberdade; “Between The Bars”, uma ode a uma garrafa de uísque; “Pictures Of Me” é um instantâneo sobre as relações destrutivas; e “No Name N. 5″ foi gravada com uma afinação diferente na guitarra de que Smith depois se esqueceu. Mas é pelas duas últimas faixas que o álbum merece ser escutado: “2:45 AM”, que documenta as dúvidas e os medos das altas horas da madrugada de forma bela e dolorosa, e “Say Yes”, irremediavelmente otimista.

Ballad Of Big Nothing: YouTube Preview Image

Between The Bars: YouTube Preview Image

Pictures Of Me: YouTube Preview Image

No Name N. 5: YouTube Preview Image

2:45 AM: YouTube Preview Image

Say Yes: YouTube Preview Image

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