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Por Erasmo Junior, em 17-08-2011 - 0h02
No início de sua carreira, Elvis Costello uma vez afirmou que a sua gravadora Columbia “parecia querer voltar ao som com o qual havíamos começado”. Ele acabou cedendo e lançou o álbum Blood And Chocolate, em 1986. Nem é preciso dizer que a gravadora odiou o trabalho, ao contrário do público.
O disco Brutal Youth é outra versão desse mesmo lado sinistro de Costello. A banda original que o havia acompanhado, The Attractions, e o primeiro produtor, Nick Lowe (que também tocou baixo), reuniram-se novamente, passados cinco anos. Desde sua última colaboração, Costello tinha desafiado todas as convenções fazendo um disco de surf rock (Mighty Like A Rose) e um álbum clássico (The Juliet Letters). Gravado em parte no estúdio Pathways, em Londres, o disco é cheio de arestas, venenoso e golpeia sempre em cheio. A música “Kinder Murder” é um desfile de guitarras afiadas acompanhadas por letras que criticam a postura dos machões e os estupros. “My Science Fiction Twin” e “Sulky Girl” vão contra a frivolidade da fama e do poder, enquanto os ambientes acolhedores e acústicos de “All The Rage” e “Rocking Horse Road” revelam um homem avaliando os seus próprios erros e perdas – não como um lamento, mas como um momento de sabedoria plena. Em “13 Steps Lead Down”, Costello solta os cães.
É tentador comentar que, se este disco tivesse sido gravado em fins dos anos 70, seria considerado um clássico. Em vez disso, Brutal Youth é um álbum subestimado na discografia do artista. O angry young man (jovem irado) é atraente, mas o angry wise man (homem sábio irado) é mortífero.
All The Rage: 
Rocking Horse Road: 
13 Steps Lead Down: 
Por Erasmo Junior, em 29-01-2011 - 0h49
Nas notas do encarte da reedição de Blood And Chocolate, Elvis Costello informou aos leitores que “não há muito a explicar sobre este disco”. Talvez, mas aqueles que conhecem apenas os dois últimos terços da sua carreira notarão a raiva que transpassa na primeira faixa, “Uncomplicated”, e certamente se perguntarão como, porque e quando ele ficou tão raivoso.
Vindo logo após King Of America, mais tradicional e sem a banda de acompanhamento, The Attractions, Blood And Chocolate é, de fato, um choque. Gravado quase todo ao vivo no estúdio, com monitores de palco em vez de fones de ouvido e com aplificadores no volume máximo, ele soa seco, básico e sujo. Não foi coincidência. As músicas são amargas como um adeus ou pungentes como mensagens de amor envoltas em arame farpado. Elas vêm embaladas em rock de garagem (“I Hope You’re Happy Now”), em pop dos anos 60 (“Poor Napoleon”), em melancolia (“Home Is Anywhere You Hang Your Head”) ou em claustrofobia (“I Want You”, um ponto alto de sua carreira), mas vêm secas.
O público não gostou desse Costello irado e o marketing estranho também não ajudou. “Tokyo Storm Warning”, um furioso “diário de viagem de um pesadelo de um brutamontes” (observação de Costello no encarte) com seis minutos de duração, foi a bizarra escolha do primeiro single, mais incompreensível ainda pela decisão de dividir a música em duas partes, com fades malfeitos, nos lados A e B. Após o fracasso dos dois singles seguintes, Elvis Costello criou o pop perfeito de Spike. Desde então, Costello tem colaborado com inúmeros artistas numa fascinante, embora por vezes estranha, carreira.
Uncomplicated: 
I Hope You’re Happy Now: 
I Want You: 
Tokyo Storm Warning: 
Battered Old Bird: 
Por Erasmo Junior, em 24-11-2010 - 17h57
Seis álbuns em cinco anos, e mesmo assim o hiperativo e produtivo Elvis Costello não errou uma única vez. Tinha emergido dos rugidos do punk, flertado com imitações do Abba, homenageado o soul e chegado a ir a Nashville para gravar um álbum de country bem razoável. E depois? Bem, ele contratou como produtor Geoff Emerick (o engenheiro inspirado de Sgt. Pepper, dos Beatles) e, juntos, começaram a trabalhar no que pouco a pouco se revelaria uma coleção sedutora de pop exuberante e inebriante – se é que algo impregnado com tanta melancolia, culpa e desespero pode ser corretamente descrito como pop.
Enquanto isso, sua banda, The Attractions, demonstrou mais uma vez que a genialidade nem sempre precisa de um líder. “Enlouqueça, componha um arranjo realmente excêntrico…”, foram as instruções que Costello deu a Steve Nieve para “…And In Every Home”. Ele seguiu tudo à risca.
Mas Imperial Bedroom é de fato uma obra-prima, como foi proclamado pela campanha publicitária nos Estados Unidos? Alguns críticos reclamaram do que consideravam ser um trabalho melodramático superproduzido e as vendas foram decepcionantes. Décadas mais tarde a música continua tendo brilho e as letras ferem como navalhas. Não, obra-prima não é um exagero. Imperial Bedroom é um álbum altamente interessante, um punho fechado dentro de uma luva de pelica.
Um comentário final: a arte da capa no estilo de Picasso, que define tão astuciosamente o som do disco, aparece nos créditos como sendo obra de “Sal Forlenza, 1942″ – na realidade, é um pseudônimo do falecido Barney Bubbles.
…And In Every Home: 
Beyond Belief: 
Shabby Doll: 
Man Out Of Time: 
Almost Blue: 
Town Cryer: 
Por Erasmo Junior, em 29-09-2010 - 1h20
Gravado durante seis semanas no Eden Studios, em Londres – com o nome original de Emotional Fascism, Armed Forces -, o terceiro álbum de Elvis Costello foi um claro passo atrás em relação à música agressiva do disco anterior, This Year’s Model. Os arranjos pop deixavam perceber a formação clássica do tecladista Steve Naive (antes, Steve Nason), que vinha exercendo uma influência crescente no trabalho de apoio a Costello. O primeiro single, “Oliver’s Army”, vendeu 400 mil cópias, mas não conseguiu derrubar “I Will Survive”, de Gloria Gaynor, do topo da parada; da mesma forma, o álbum também ficou em segundo lugar.
O LP incluiu um single de sete polegadas, com três faixas ao vivo e uma capa graficamente elaborada. Entre essas faixas havia um take de piano e voz da música de abertura do álbum, “Accidents Will Happen”, muito melhor, sob qualquer ponto de vista, do que o corte feito pelo estúdio. Outro destaque era “Green Shirt”, uma “homenagem” à apresentadora da BBC TV Angela Rippon, na qual Naive teve controle total para usar seu arsenal de teclados.
Para alguns, a inclusão de “Sunday’s Best”, uma música escrita para Ian Dury e por ele rejeitada, podia sugerir que a fonte criativa de Costello estava começando a secar. A canção foi retirada do álbum, no lançamento dos Estados Unidos, e substituída por uma versão de “What’s So Funny ‘Bout Peace Love And Understanding”, de Nick Lowe.
Mas não havia dúvidas, ao se ouvir o repetido refrão “I will return” (“Eu voltarei”), no final de “Two Little Hitlers”, de que Costello cumpriria a promessa. Ele conseguiu, com sucesso, se infiltrar no mainstream. Como contrsate, seu projeto seguinte teve o soul como base.
Oliver’s Army: 
Accidents Will Happen: 
Green Shirt: 
Sunday’s Best: 
Two Little Hitlers: 
Por Erasmo Junior, em 07-09-2010 - 22h21
Quando se trata dos assuntos do coração, a música pop adora os extremos. Canções sobre as maravilhas do amor e o desespero da rejeição existem em todo lugar, mas as gradações de cinza entre o amor e o sexo não são tão populares. Para começar, não rendem bons refrões.
A menos que se esteja falando do autoproclamado “monstro de olhos esbugalhados do Planeta da Culpa e da Vingança” – nesse caso, a feiúra do coração, todo o ódio e maldade, a crueldade e a traição fazem parte do jogo. Dessa forma, em 1978, Elvis Costello e sua nova banda, The Attractions, chegaram ao estúdio Eden, em Londres, para remexer nas feridas das relações fracassadas.
Cercado por um redemoinho de órgãos e pela pulsante seção rítmica da nova banda, Costello, em This Year’s Model, chega ao auge de seu sarcasmo. No stacatto gélido de “(I Don’t Want To Go To) Chelsea”, Costello investe contra aqueles que posam de bonzinhos; na agitada “The Beat”, ele luta contra a culpa por um encontro sem sentido num clube noturno.
A raivosa “Lipstick Vogue” é hipnótica, por conta da atlética bateria de Pete Thomas, que balança a música como se fosse uma maraca de vodu; o passo bêbado de “Pump It Up” reflete a agitação frenética e desesperada de uma noite de “insônia provocada”, como define, num eufemismo.
This Year’s Model é um álbum impiedoso, sem concessões, e não tem lugar para discursos vazios. O disco vai direta e profundamente na veia. Vingança e culpa são temas que poderiam assustar outros compositores, mas, entre a raiva e a revolta, Costello encontrou sua verdade.
(I Don’t Want To Go To) Chelsea: 
The Beat: 
Lipstick Vogue: 
Pump It Up: 
Por Erasmo Junior, em 31-08-2010 - 11h10
My Aim Is True, lançado antes de Elvis Costello formar os Attractions, foi gravado em seis sessões de quatro horas, num estúdio demo com oito canais, em Londres, que, hoje, ele compara a uma cabine telefônica. A qualidade das composições garantiu que este seu primeiro álbum tenha permanecido um clássico.
“(The Angels Wanna Wear My) Red Shoes”, na qual o futuro Doobie Brother John McFee traça linhas de guitarra no estilo dos Byrds, era uma escolha óbvia para ser lançada em single. Depois dela, o álbum traz “Less Than Zero”, inspirada no líder fascista inglês Oswald Mosley, e antes a alegre (e atípica) balada “Alison”, da qual o título do disco foi tirado. Mas foi com “Watching The Detectives” que ele chegou às paradas de singles, no final de 1977. Gravada com os integrantes do The Rumour, essa faixa foi incluída apenas nos relançamentos do álbum.
A emoção predominante em My Aim Is True era a insatisfação, expressa abertamente em “Blame It On Cain” e “Mistery Dance”, enquanto “No Dancing” igualava a dança ao sexo. O produtor Nick Lowe, ex-vocalista do Brinsley Schwarz, que Costello havia seguido pelo país, acrescentou apenas um pouco dos truques de estúdio para tornar o álbum propriamente um disco e não uma série de demos. Mas não havia dúvidas de que canções como “Mystery Dance”, com sua vibração do tipo Jerry Lee Lewis, iriam chegar a uma nova dimensão quando tocadas ao vivo pelos Attractions.
Poucas músicas de Costello, à exceção de “Alison”, foram gravadas por outros artistas, e este álbum, que chegou ao 14o lugar na parada britânica e mantém até hoje sua peculiaridade, mostra o porquê. Uma combinação instigante de punk com músicas elaboradas, o disco continua único, mesmo para os padrões de Elvis Costello.
(The Angels Wanna Wear My) Red Shoes: 
Less Than Zero: 
Alison: 
Watching The Detectives: 
Blame It On Cain: 
Mistery Dance: 
No Dancing: 
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