Quando Eminem lançou seu primeiro disco por uma grande gravadora, o controverso The Slim Shady Show (1999), o veredicto dos guardiões da moral foi unânime: Eminem era racista, sexista, misógino, homófobo. Os palavrões e a violência não eram novidades nas letras de rap, mas Eminem havia catapultado o estilo para o coração da classe média branca americana.
The Marshall Mathers LP tirou vantagem do furor gerado por The Slim Shady Show, vencedor do prêmio Grammy, é uma obra-prima de meta-rap de teatro de horrores que detona as distinções entre humor e terror, sátira e documentário. Agora Eminem nos oferece três personagens – o verdadeiro Marshall Mathers, o arrogante MC Eminem e aquele garoto branco metido a rapper chamado Slim Shady.
Slim e Em iniciam a festa, destilando sua tinta corrosiva e difamatória sobre praticamente tudo, desde a censura (em “Who Knew”) até o culto às celebridades (em “Stan”). Dr. Dre reforça os desenfreados ataques de rap com efeitos de som irreverentes, linhas de baixo fluidas e ritmos pop sincopados.
Mas é como o seu verdadeiro eu, Marshall Mathers, que Eminem realmente rasga os nervos, levando o hip-hop ao território emocional com letras praticamente autobiográficas. O que torna a balada matadora “Kim” tão completamente aterrorizante não são as menções de sangue e vísceras (“Now Bleed! Bitch Bleed!” – “Agora sangra! Vagabunda, sangra!”), mas a sua profunda sinceridade e a sua trágica humanidade (“I swear to God, I hate you, Oy My God, I love you” – “Juro por Deus, eu te odeio, ah meu Deus, eu te amo”).








