Arquivos

Categorias

“The Marshall Mathers LP” de Eminem (2000)

Quando Eminem lançou seu primeiro disco por uma grande gravadora, o controverso The Slim Shady Show (1999), o veredicto dos guardiões da moral foi unânime: Eminem era racista, sexista, misógino, homófobo. Os palavrões e a violência não eram novidades nas letras de rap, mas Eminem havia catapultado o estilo para o coração da classe média branca americana.

The Marshall Mathers LP tirou vantagem do furor gerado por The Slim Shady Show, vencedor do prêmio Grammy, é uma obra-prima de meta-rap de teatro de horrores que detona as distinções entre humor e terror, sátira e documentário. Agora Eminem nos oferece três personagens – o verdadeiro Marshall Mathers, o arrogante MC Eminem e aquele garoto branco metido a rapper chamado Slim Shady.

Slim e Em iniciam a festa, destilando sua tinta corrosiva e difamatória sobre praticamente tudo, desde a censura (em “Who Knew”) até o culto às celebridades (em “Stan”). Dr. Dre reforça os desenfreados ataques de rap com efeitos de som irreverentes, linhas de baixo fluidas e ritmos pop sincopados.

Mas é como o seu verdadeiro eu, Marshall Mathers, que Eminem realmente rasga os nervos, levando o hip-hop ao território emocional com letras praticamente autobiográficas. O que torna a balada matadora “Kim” tão completamente aterrorizante não são as menções de sangue e vísceras (“Now Bleed! Bitch Bleed!” – “Agora sangra! Vagabunda, sangra!”), mas a sua profunda sinceridade e a sua trágica humanidade (“I swear to God, I hate you, Oy My God, I love you” – “Juro por Deus, eu te odeio, ah meu Deus, eu te amo”).

Who Knew: YouTube Preview Image

Stan: YouTube Preview Image

Kim: YouTube Preview Image

“The Slim Shady LP” de Eminem (1999)

Desde que Elvis esteve no programa de Ed Sullivan que um homem branco fazendo música negra não gerava tanta controvérsia como Marshall Mathers com o seu The Slim Shady LP. Os cães de guarda denunciaram as imagens violentas e as letras homofóbicas, apesar de milhões de pessoas terem percebido a piada: Mathers, no papel de Eminem, com seu estilo de “cara barra-pesada”, e o brincalhão Slim Shady estavam só querendo provocar. As suas intenções, no entanto, geraram dúvidas suficientes, em grande parte devido às descrições meticulosas, para fazerem de The Slim Shady LP uma espécie de telenovela intrigante.

A novela pessoal do próprio Mathers começou numa zona pobre de Detroit perto de 8 Mile Road, a rua que serve de fronteira entre brancos e negros. Era muito fluente desde a adolescência e em breve estava desafiando o estigma de Vanilla Ice em combates de rap contra MCs negros. Apesar do apoio do Dr. Dre, que contratou Mathers para o seu selo Aftermath, em The Slim Shady LP Eminem parece ainda estar lutando para conquistar respeito.

O álbum consegue um equilíbrio sutil entre confusões de estudantes, histórias “do bairro” e enredos de filmes de terror. “My Name Is” é uma hilariante introdução, enquanto “97′ Bonnie And Clyde” conta a história de um rapper que mata a sua mulher e leva os filhos para se desfazer do corpo. Outros rappers foram mais divertidos ou mais mortíferos, mas nunca ninguém soou tão ameaçador e cômico ao mesmo tempo como Eminem em “Guilty Conscience”.

The Slim Shady LP anunciava o que muitos consideram como a voz de uma geração.

My Name Is: YouTube Preview Image

97′ Bonnie And Clyde: YouTube Preview Image

Guilty Conscience: YouTube Preview Image

Copyright © 2010 - Folha da Manhã - Todos os direitos reservados