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“Red Dirt Girl” de Emmylou Harris (2000)

Dona de uma voz dolorosamente bela, com vibrato puro e cristalino, Emmylou Harris há muito tempo é uma das melhores intérpretes dos Estados Unidos. Durante mais de 30 anos, foi uma figura onipresente, mudando de gênero, passando de um estilo para outro. No início dos anos 90, contudo, parecia estar o tempo todo na sombra de outros. O seu álbum de 1995, Wrecking Ball, produzido por Daniel Lanois, mudou tudo: reinventou o seu som e redefiniu a sua arte. Mas este disco, que viria em seguida, foi ainda melhor.

O que distingue Red Dirt Girl de Wrecking Ball – e se trata de uma diferença significativa – é que aqui Harris compôs todas as músicas, exceto uma. Da pungente melancolia de “Boy From Tupelo” à comovente homenagem ao seu pai, “Bang The Drum Slowly”, trata-se de um trabalho artístico maduro e bem pensado, de um sofrimento poético e emoções reprimidas. O único álbum anterior composto por Harris foi o introspectivo e catártico The Ballad Of Sally Rose de 1985, um disco de relativo sucesso, inspirado pelas lembranças da sua relação com Gram Parsons. Aqui, apesar de as letras serem menos pessoais, ainda se revelam comoventes e ternas, assombradas pela dor. O produtor Malcolm Burn segue a linha de Lanois. Assim, através de uma música habilmente trabalhada que vibra e palpita, que arrasta e agita, Harris amociona com canções aveludadas que falam do amor, da perda, da tristeza e da dor.

Ela gravou mais de 30 álbuns, mas este é o mais completo e mais bem acabado dentre eles.

Boy From Tupelo: YouTube Preview Image

Bang The Drum Slowly: YouTube Preview Image

“Trio” de Dolly Parton, Linda Ronstadt e Emmylou Harris (1987)

Embora muitas vezes cantores country se juntem para gravar singles de sucesso, poucas colaborações entre grandes estrelas geraram bons álbuns inteiros. Contudo, a formidável equipe formada por Dolly Parton, Linda Ronstadt e Emmylou Harris conseguiu criar um som gloriosamente harmônico neste fascinante Trio.

O disco não poderia ter saído em época melhor para Parton e Ronstadt. Parton tinha passado grande parte dos anos 80 cortejando o grande público com reluzentes canções pop como “Islands In The Stream”. Ronstadt tinha se afastado de suas raízes na cena country-folk de Los Angeles e estava gravando standards do pop. Nenhuma das duas podia se queixar de sua situação econômica – What’s New, de Linda Ronstadt, vendeu dois milhões de cópias, e Dolly Parton conseguiu colocar 12 hits no Top 10 em cinco anos -, mas ambas tinham perdido algo. Talvez fosse a autenticidade de seus primeiros trabalhos, algo que as duas iriam recuperar quando entraram em estúdio com Emmylou Harris, uma das cantoras de Nashville mais constantes de todos os tempos.

Acompanhadas por uma banda coesa na qual figuravam David Lindley e Ry Cooder, as três superestrelas fundiram as suas vozes intuitivamente neste brilhante colaboração de country old-school, faixas tradicionais de tom solene e baladas pop. Ainda que muitos solos se destaquem, o melhor do álbum são as belas harmonias encontradas em “Making Plans” e a glória discreta de “To Know Him Is To Love Him”, música de Phil Spector.

Trio foi um sucesso comercial e de crítica. Ganhou um disco de platina, um Grammy e gerou uma continuação anos mais tarde, Trio II, de 1998.

To Know Him Is To Love Him: YouTube Preview Image

Those Memories Of You: YouTube Preview Image

“Pieces Of The Sky” de Emmylou Harris

Abatida com a morte do amigo, parceiro e mentor Gram Parsons, Emmylou encontrou refúgio sob a batuta sensível de Brian Ahern, que já havia feito sucesso com outra vocalista, Anne Murray. Harris, desde então, passou a manter acesa a chama de Parsons.

Para gravar este álbum, o primeiro disco solo pós-Parsons, Ahern alugou uma grande casa em Beverly Hills e instalou seu estúdio portátil no quintal. Ele não queria fazer um álbum estritamente country e reuniu um time de músicos que incluía dois integrantes da banda que acompanhava Elvis em Las Vegas – a lenda da guitarra James Burton e o ex-Cricket Glen D. Hardin como arranjador e pianista. Chamou também Bernie Leadon, dos Eagles, Bill Payne, do Little Feat, e Herb Pedersen (ex-Dillards) para a harmonia vocal.

Várias músicas conhecidas foram selecionadas, ao lado de material original, como “Bluebird Wine”, do então desconhecido Rodney Crowell, e a homenagem pessoal de Harris a Parsons, “Boulder To Birmingham”. A maioria das outras canções era famosa. A mistura de Merle Haggard com os Beatles e os Louvin Brothers era, no mínimo, corajosa, mas funcionou de maneira fabulosa.

Conta muito a favor de Emmylou dizer que músicos como Burton e Hardin, assim como Crowell, se tornaram membros da banda – muito apropriadamente chamada de Hot Band – que acompanhou a cantora em turnês durante anos. Outros notáveis que marcaram presença no álbum são Amos Garrett na guitarra e Richard Greene e Byron Berline nas rabecas. As faixas cinco e dez foram gravadas ao vivo, no estilo dos shows que Emmylou fazia em bares antes de chamar a atenção de Parsons.

Boulder To Birmingham: YouTube Preview Image

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