Dona de uma voz dolorosamente bela, com vibrato puro e cristalino, Emmylou Harris há muito tempo é uma das melhores intérpretes dos Estados Unidos. Durante mais de 30 anos, foi uma figura onipresente, mudando de gênero, passando de um estilo para outro. No início dos anos 90, contudo, parecia estar o tempo todo na sombra de outros. O seu álbum de 1995, Wrecking Ball, produzido por Daniel Lanois, mudou tudo: reinventou o seu som e redefiniu a sua arte. Mas este disco, que viria em seguida, foi ainda melhor.
O que distingue Red Dirt Girl de Wrecking Ball – e se trata de uma diferença significativa – é que aqui Harris compôs todas as músicas, exceto uma. Da pungente melancolia de “Boy From Tupelo” à comovente homenagem ao seu pai, “Bang The Drum Slowly”, trata-se de um trabalho artístico maduro e bem pensado, de um sofrimento poético e emoções reprimidas. O único álbum anterior composto por Harris foi o introspectivo e catártico The Ballad Of Sally Rose de 1985, um disco de relativo sucesso, inspirado pelas lembranças da sua relação com Gram Parsons. Aqui, apesar de as letras serem menos pessoais, ainda se revelam comoventes e ternas, assombradas pela dor. O produtor Malcolm Burn segue a linha de Lanois. Assim, através de uma música habilmente trabalhada que vibra e palpita, que arrasta e agita, Harris amociona com canções aveludadas que falam do amor, da perda, da tristeza e da dor.
Ela gravou mais de 30 álbuns, mas este é o mais completo e mais bem acabado dentre eles.








