É raro para um artista ver o seu sétimo álbum alcançar um público muito mais amplo do que os anteriores. Mas em 1996, quando o trip hop de Bristol tinha se convertido na música do momento, o Everything But The Girl atingiu um nicho artístico e comercial.
O Everything But The Girl já tinha procurado em seu trajeto influências de gêneros variados como o jazz, indie, electro-folk e nouveau bossa nova. Todos esses trabalhos eram caracterizados pelos arranjos melódicos de Watt e a voz quente e lânguida de Thorn. Foi justamente a belíssima participação de Thorn como artista convidada em Protection (1994), do Massive Attack, que mostrou como o estilo do Everything But The Girl podia adaptar-se bem ao chill-out contemporâneo.
Em 1995, o single “Missing” foi remixado pelo DJ e produtor de house music Todd Terry e se tornou um sucesso tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos. A dupla entendeu que esse era o caminho a seguir e tirou da cartola Walking Wounded, um álbum onde se aventuraram pelos ritmos dançantes da música eletrônica – trip hop, drum ‘n’ bass, house -, ainda que, no fundo, as músicas continuassem a ser narrativas frágeis e belas sobre amores perdidos. A fotografia da capa, de Marcelo Krasilcic, remetia ao glamour da vida noturna nos clubes, embora o rosto magro de Watts deixasse transparecer a doença quase fatal pela qual tinha passado recentemente.
A instrumentação das músicas é mínima: Watt toca sintetizadores e violão, além de ter criado os ritmos e alguns sons etéreos. A fabulosa música “Single” contém uma das melhores interpretações de Thorn de todos os tempos, onde a cantora consegue transmitir uma sensação de fragilidade digna de Billie Holliday. A música “Walking Wounded”é uma elegia aos clubbers que já abusaram de tudo.
Drum ‘n’ bass e Everything But The Girl? Uma combinação improvável, mas o resultado é perfeito.











