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“Walking Wounded” do Everything But The Girl (1996)

É raro para um artista ver o seu sétimo álbum alcançar um público muito mais amplo do que os anteriores. Mas em 1996, quando o trip hop de Bristol tinha se convertido na música do momento, o Everything But The Girl atingiu um nicho artístico e comercial.

O Everything But The Girl já tinha procurado em seu trajeto influências de gêneros variados como o jazz, indie, electro-folk e nouveau bossa nova. Todos esses trabalhos eram caracterizados pelos arranjos melódicos de Watt e a voz quente e lânguida de Thorn. Foi justamente a belíssima participação de Thorn como artista convidada em Protection (1994), do Massive Attack, que mostrou como o estilo do Everything But The Girl podia adaptar-se bem ao chill-out contemporâneo.

Em 1995, o single “Missing” foi remixado pelo DJ e produtor de house music Todd Terry e se tornou um sucesso tanto na Inglaterra quanto nos Estados Unidos. A dupla entendeu que esse era o caminho a seguir e tirou da cartola Walking Wounded, um álbum onde se aventuraram pelos ritmos dançantes da música eletrônica – trip hop, drum ‘n’ bass, house -, ainda que, no fundo, as músicas continuassem a ser narrativas frágeis e belas sobre amores perdidos. A fotografia da capa, de Marcelo Krasilcic, remetia ao glamour da vida noturna nos clubes, embora o rosto magro de Watts deixasse transparecer a doença quase fatal pela qual tinha passado recentemente.

A instrumentação das músicas é mínima: Watt toca sintetizadores e violão, além de ter criado os ritmos e alguns sons etéreos. A fabulosa música “Single” contém uma das melhores interpretações de Thorn de todos os tempos, onde a cantora consegue transmitir uma sensação de fragilidade digna de Billie Holliday. A música “Walking Wounded”é uma elegia aos clubbers que já abusaram de tudo.

Drum ‘n’ bass e Everything But The Girl? Uma combinação improvável, mas o resultado é perfeito.

Single: YouTube Preview Image

Walking Wounded: YouTube Preview Image

Before Today: YouTube Preview Image

Wrong: YouTube Preview Image

“Idlewild” do Everything But The Girl (1988)

“For your bedroom needs we sell everything but the girl” (“Para o seu quarto, nós vendemos tudo, menos a garota”) – afirmava o poster numa loja de móveis no início dos anos 80. Era a inspiração perfeita para um duo cuja música romântica provavelmente se tornou um afrodisíaco irresistível para muitos casais copularem.

O músico Ben Watt e a vocalista Tracey Thorn conheceram-se quando eram estudantes em Hull e obtiveram sucessos individuais no selo Cherry Red. Após se juntarem de fato, gravaram uma série de álbuns inspirados em jazz, pop, country e baladas. Contudo, foi uma música escrita por Danny Whitten (guitarrista do Crazy Horse) que finalmente fez com que a carreira engrenasse. O duo deu ao seu conhecido “I Don’t Want To Talk About It” um banho de soul. É uma balada clássica que poderia ter sido escrita especialmente para a voz sentida de Thorn. Ao atingir o terceiro lugar na Inglaterra, o single deu um grande ímpeto ao novo álbum.

Gravado com uma formação pequena, incluindo Ian Fraser e Peter King nos saxofones, Idlewild tem um som lounge, como um bar de jazz. É verdade que ambas são agradáveis e populares, mas isso não diminui a beleza nostálgica de “Oxford Street” ou de “These Early Days”. Sempre poético, o duo cria luxuriantes paisagens de desejo com “Blue Moon Rose” e “Shadow On A Harvest Moon”.

Quase uma década mais tarde, Thorn e Watt misturaram sua arte etérea aos ritmos dançantes do trance. O resultado teve um sucesso surpreendente, especialmente nos Estados Unidos. Everything But The Girl subitamente passou a fazer parte da elite musical.

I Don’t Want To Talk About It: YouTube Preview Image

Oxford Street: YouTube Preview Image

These Early Days: YouTube Preview Image

Blue Moon Rose: YouTube Preview Image

Shadow On A Harvest Moon: YouTube Preview Image

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