Quando Rod Stewart se juntou aos remanescentes dos Small Faces, em 1969, frequentando seus ensaios com o amigo – igualmente desocupado – Ron Wood, não foi de todo bem-vindo. Os três sobreviventes do grupo, que havia perdido Steve Marriot para a superbanda Humble Pie, não queriam mais ser a banda de apoio de ninguém. Mas uma fantástica compatibilidade musical deixou essas preocupações de lado até 1971, quando o excelente terceiro álbum do grupo coincidiu com o disco solo de Rod, Every Picture Tells A Story.
A Nod Is As Good As A Wink… To Blind A Horse tinha muitos pontos a seu favor, a começar pelo talento de compositor do baixista Ronnie Lane. Suas descrições da vida no East London – como em “Last Orders Please” e “Debris” – foram o antídoto necessário para o estilo machão da dupla Wood/Stewart, pelo qual os Faces tinham ficado conhecidos. Era apenas uma questão de tempo, por exemplo, até que “Stay With Me”, ainda hoje a melhor melodia de Wood, mesmo depois de um quarto de século com os Rolling Stones, fosse ressuscitada como tema de um comercial de uma loja de roupas masculinas.
Foi essa dicotomia entre suavidade e rudeza que fez com que John Peel considerasse os Faces sua banda preferida, antes dos Undertones. Mesmo o alegre passeio pela velha “Memphis, Tennessee”, de Chuck Berry, não conseguiu estragar as coisas.
Infelizmente, o álbum seguinte, Ooh-La-La, merece ser esquecido, e a estrela dos Faces foi perdendo a luz à medida que a de Stewart brilhava em direção ao apogeu comercial de Atlantic Crossing, com seu hino para multidões, “Sailing”. Uma coisa é certa – essa música nunca teria tido lugar neste álbum.



