Unhalfbricking (1969), o segundo álbum do Fairport – formado por Sandy Denny (voz), Richard Thompson (guitarra), Ashley “Tyger” Hutchings (baixo), Simon Nicol (guitarra) e Martin Lamble (bateria) -, incluía uma maravilhosa releitura da tradicional canção “A Sailor’s Life”, que acabou se tornando o manifesto do folk-rock inglês. Uma tragédia, porém, se abateu sobre a banda quando a van que transportava o grupo capotou, matando Lamble e uma jovem amiga do Fairport, Jeannie Franklyn. Abalados com o desastre, os sobreviventes se reagruparam com o baterista Dave Mattacks e com a estrela do circuito folk Dave Sawrbrick (violino e bandolim) para gravar umas músicas numa casa de campo no Hampshire. O resultado foi Liege And Lief.
Se Unhalkbricking tinha incomodado os puristas do folk, mas encantado o crescente público do folk-rock, Liege And Lief provocou uma controvérsia ainda maior – inclusive dentro da própria banda. A partir de “A Sailor’s Life”, o Fairport vinha cantando e tocando canções tradicionais e baladas com instrumentos elétricos – em especial, a legendária versão de “Matty Groves”, na qual Richard Thompson faz um trabalho magnífico na guitarra. O grupo também estava compondo músicas de alta qualidade, como “Farewell, Farewell” e “Crazy Man Michael”. No entanto, a insistência de Hutchings para que a banda utilizasse mais material tradicional do que composições originais aborreceu Sandy Denny – e ela era a voz mais bonita do rock britânico da época, ganhando a admiração, entre outros, do Led Zeppelin. Ela e Hutchings acabaram saindo do Fairport Convention assim que terminaram Liege And Lief, deixando um legado único.









