No início dos anos 70, a música progressiva alemã se tornou conhecida na Europa e nos Estados Unidos como “Krautrock”, um apelido pejorativo cunhado pela imprensa inglesa quando a Virgin e a United Artists começaram a contratar grupos da Alemanha. O gênero se mostrou lucrativo, mas, rapidamente, acabou associado a artistas que não tinham a mesma visão vanguardista do rock como os da primeira onda de bandas Krautrock.
Um jornalista da área de música que virou produtor, Uwe Netellbeck, era o mentor de uma comuna de estudantes esquerdistas, formada em 1971, que fazia uma mistura de protesto político e viagens sonoras eletroacústicas. Por intermédio de Netellbeck, em 1972 a Virgin lançou The Faust Tapes, uma compilação de gravações caseiras. Foram vendidas 50 mil cópias e a banda ficou popular no universo underground. O grupo fez uma turnê pela Inglaterra e foi contratado para fazer seu primeiro álbum.
Faust IV com o megalítico bordão “Krautrock”, um improviso ousado e metronômico que captura a essência do romantismo alemão da banda. Outras faixas, como “Just A Second”, “Picnic On A Frozen River” e “Giggy Smile”, trazem experiências eletrônicas e musique concrete, jazz e folk.
Pena que a capa pouco atraente e a inclusão de esquisitices de pop dadaísta como “Sad Skinhead”, “Jennifer” e “It’s A Bit Of Pain” (hoje, tidas como alguns dos melhores momentos de lirismo do Faust) impediram os fãs que haviam comprado The Faust Tapes de adquirir um disco considerado, atualmente, um clássico do Krautrock.






