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“Femi Kuti” de Femi Kuti (1995)

Os descendentes de artistas revolucionários nunca têm uma vida fácil. Seria bastante mais simples, por exemplo, colocar Femi Kuti de lado como uma espécie de “Fela lite” – não fosse pelo fato dos seus discos provarem exatamente o oposto. Além disso, embora tenha sido muitas vezes tratado pelos supostamente “sofisticados” ocidentais como um músico excêntrico e interessante, cujo tempero era resultado de muito fumo e vodu, Femi é bem mais que isso.

Ele aprendeu a tocar saxofone com o seu pai no início dos anos 80, no Egito. Ainda que o brilho musical do pai estivesse diminuindo, aquela era uma época politicamente muito conturbada, onde havia violência por parte do governo autoritário nigeriano e músicas cheias de farpas por parte do músico – Femi não tinha como deixar de ser influenciado. Quando saiu da banda de Fela para iniciar a sua própria, chamada Positive Force, as diferenças e as semelhanças tornaram-se bem visíveis: continuava tendo o ritmo africano, com ataques evidentes à corrupção do governo, mas a música estava mais centrada naqueles que a ouviam do que em seus intérpretes.

Enquanto a saúde de Fela piorava ao longo dos anos 90, aumentava o interesse pelo novo material de Kuti. Finalmente a editora Tabu, propriedade da Motown, ofereceu a Femi uma oportunidade de seguir a trilha aberta por seu pai. Ele estava pronto, tendo uma grande banda e excelente material. O disco resultante é um clássico de jazz, funk e alguma raiva, servidos com fortes ritmos africanos, mas os extremos mais radicais de Fela nos anos 70 haviam sido abrandados para melhor.

Na África, este trabalho foi um enorme sucesso. Contudo, quando a Motown fechou a sua filial, Femi foi obrigado a repensar a sua carreira internacional.

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