Apenas um ano depois de emergir das profundezas do anonimato em Nova York, a ambiciosa Fiona Apple, com 18 anos, lançou o seu álbum de estreia. Tidal, graças a um recente contrato com a Sony. Sua interpretação vocal madura e as letras cheias de angústia rapidamente geraram comparações com outras cantoras de peso da época, como Alanis Morissette, Tori Amos e P.J. Harvey. A capa minimalista – um retrato de Fiona – reflete perfeitamente o tom do disco: auto-reflexivo e auto-indulgente, talvez, mas de uma beleza potente e arrebatadora.
Os versos desolados, ainda que desafiadores, marcam o som em quase todas as faixas. As dores do amor nunca soaram tão bem. A jovem Fiona Apple transita por diversos gêneros, do psicodelismo ao jazz, passando pelo blues e o funk com momentos soul. A maioria das músicas dura mais de cinco minutos, durante os quais a artista narra suas histórias envolventes com sua voz de contralto esvoaçando sem rupturas entre a interpretação gutural de “Criminal” e a leveza angelical de “Never Is A Promisse”, da agridoce e apaixonada “Sleep To Dream” para a inocente “The First Taste”.
Com a crescente reputação do disco e aplausos da crítica vieram também os prêmios. Em 1997, Fiona Apple foi nomeada para o Grammy como melhor artista revelação e melhor música rock (“Criminal”) e acabou ganhando o prêmio pela melhor interpretação feminina com essa mesma música.





