Os Flamin’ Groovies surgiram no cenário musical de São Francisco em meados dos anos 60, mas nunca tentaram fazer parte da grande festa psicodélica da cidade. Em vez disso, se concentraram em recriar um som mais cru, no estilo rockabilly da década de 50, e inspirado nos primeiros trabalhos dos Beatles e dos Rolling Stones.
O período mais fértil da carreira dos Groovies foi entre 1968 e 1971, quando eram uma excelente banda de garagem e escreveram uma série de canções maravilhosas. Teenage Head foi o último álbum a ser gravado pela formação original do grupo, e a tensão entre o guitarrista Cyril Jordan e o cantor Roy Loney transparece no som agressivo e estridente do álbum. A faixa-título é um hino sobre a alienação dos adolescentes, enquanto “High Flying Baby” xinga e briga. A banda passa primorosamente por vários blues – com destaque para “32-20″ de Robert Johnson (essa mistura de blues e rock levou alguns a achar Teenage Head melhor do que Sticky Fingers, dos Rolling Stones). O ar mal-humorado da banda na capa contrasta com a iconografia hippie que prevalecia na época, e mostra os Groovies como um bando de delinquentes – como, provavelmente, eles mesmos se viam.
Teenage Head recebeu poucas mas boas críticas. Os Groovies, no entanto, estavam fora de lugar num país obcecado por solos de guitarra. Roy Loney deixou o grupo, desiludido, apenas alguns meses depois do lançamento do álbum. Cyril Jordan reformulou a banda e foi com o novo grupo para a Inglaterra, onde influenciaram o florescente movimento punk até se separarem, em 1979.



