A fase de Frank Sinatra na Capitol Records, de 1954 a 1961, é considerada o auge de sua carreira. Mas, embora ao longo dos anos 60 o cantor se mostrasse cada vez mais acomodado ao sucesso, há pérolas nas gravações que fez para a Reprise, o selo que ele fundou em 1961. Os dois álbuns gravados com Count Basie, por exemplo, são um banquete, mas este pequeno e insólito disco é, sem dúvida, o mais delicado de sua carreira, o que melhor mostra que, quando Sinatra escolhia bem o material, continuava um intérprete incomparável.
A onda da bossa nova já tinha passado; o que antes era considerado exótico nas mãos de Stan Getz e (particularmente) na voz de Astrud Gilberto já tinha, havia algum tempo, virado clichê. Mas Sinatra não ligava para modismos; sua única preocupação era a falta de traduções adequadas para as canções de Jobim, daí a presença de três standards da música americana ao lado de sete faixas do brasileiro.
Os que acusam Sinatra de ser quase desafinado geralmente usam este disco como prova. Mas as falhas de sua voz em faixas ternas como “Dindi” são, se não deliberadas, deliberadamente expostas: Sinatra pode ter parecido cansado ou triste ao longo de sua vida, mas nunca soou tão vulnerável. E, embora tenha decidido um pouco tarde convidar Jobim para um dueto, o álbum é realmente um trabalho de dupla. A leveza de pluma da orquestra conduzida por Claus Ogerman é a primeira coisa que se nota, mas o pulsar do disco é obra do violão flexível mas firme de Tom Jobim.




