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Voe Comigo À Lua

Voe comigo para a lua e  deixe-me brincar entre as estrelas, deixe-me ver qual primavera é como em Júpiter e Marte. Em outras palavras, segure minha mão. Em outras palavras, beije-me.  Encha meu coração com essa canção e deixe-me cantar para além do sempre. Você é tudo que eu desejo para tudo que eu venero e adoro. Em outras palavras, seja verdadeira. Em outras palavras, eu te amo.

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Francis Albert Sinatra e Antonio Carlos Jobim

A fase de Frank Sinatra na Capitol Records, de 1954 a 1961, é considerada o auge de sua carreira. Mas, embora ao longo dos anos 60 o cantor se mostrasse cada vez mais acomodado ao sucesso, há pérolas nas gravações que fez para a Reprise, o selo que ele fundou em 1961. Os dois álbuns gravados com Count Basie, por exemplo, são um banquete, mas este pequeno e insólito disco é, sem dúvida, o mais delicado de sua carreira, o que melhor mostra que, quando Sinatra escolhia bem o material, continuava um intérprete incomparável.

A onda da bossa nova já tinha passado; o que antes era considerado exótico nas mãos de Stan Getz e (particularmente) na voz de Astrud Gilberto já tinha, havia algum tempo, virado clichê. Mas Sinatra não ligava para modismos; sua única preocupação era a falta de traduções adequadas para as canções de Jobim, daí a presença de três standards da música americana ao lado de sete faixas do brasileiro.

Os que acusam Sinatra de ser quase desafinado geralmente usam este disco como prova. Mas as falhas de sua voz em faixas ternas como “Dindi” são, se não deliberadas, deliberadamente expostas: Sinatra pode ter parecido cansado ou triste ao longo de sua vida, mas nunca soou tão vulnerável. E, embora tenha decidido um pouco tarde convidar Jobim para um dueto, o álbum é realmente um trabalho de dupla. A leveza de pluma da orquestra conduzida por Claus Ogerman é a primeira coisa que se nota, mas o pulsar do disco é obra do violão flexível mas firme de Tom Jobim.

Quiet Night Of Quiet Stars: YouTube Preview Image

The Girl From Ipanema: YouTube Preview Image

Baubles, Bangles And Beads: YouTube Preview Image

“Songs For Swingin’ Lovers!” de Frank Sinatra (1956)

Em meados dos anos 50, Frank Sinatra estava de volta ao auge não apenas de seu talento, mas das paradas, desmentindo a máxima de F. Scott Fitzgerald: “Não existe uma segunda chance para os americanos.” No final de 1955, novamente com Nelson Riddle, Sinatra planejou um disco com um sabor diferente.

O que surgiu dessas sessões, realizadas um mês depois de o cantor completar 40 anos, foi o oposto do trabalho anterior. Comparado com The Wee Small Hours e seu clima de bêbado-num-bar-às-duas-da-manhã, o eufórico Songs For Swingin’ Lovers! parece um passeio numa tarde ensolarada de domingo, literalmente transbordando de joie de vivre. Sinatra está à vontade como nunca, ágil em “You Make Me Feel So Young”, cantando “How About You?” como se estivesse pedindo alguém em casamento ou piscando o olho, daquele seu jeito, em “Makin’ Whoopee”. Mas nada disso teria valor sem a gloriosa orquestração de Riddle. Reza a lenda que seu insuperável arranjo para “I’ve Got You Under My Skin”, terminado às pressas na noite anterior à gravação, foi espontaneamente aplaudido pelos músicos durante a sessão, em 12 de janeiro de 1956.

Este álbum talvez cheque perto de ser o grande songbook americano. No entanto, os estudiosos mais atentos da música pop podem reparar que há uma simetria nas 15 faixas que cravam 45 minutos do disco. A arte de fazer canções de três minutos começa e termina ali.

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“In The Wee Small Hours” de Frank Sinatra (1955)

No início dos anos 50, Frank Sinatra estava acabado – incapaz de conseguir um contrato regular com uma casa noturna, quanto mais com uma gravadora. Seu salvador chegou bem a tempo. Alan Livingsto, vice-presidente de A&R (artist and repertoir) da Capitol Records e fã de Sinatra, o contratou por sete anos em 14 de março de 1953, contrariando o conselho de seus colegas.

O Oscar que Sinatra recebeu, no mesmo ano, por A Um Passo da Eternidade comprovou a clarividência de Livingston. O prêmio também deu ao cantor uma segunda chance, que ele agarrou com unhas e dentes em Songs For Young Lovers e Swing Easy. Ambos são grandes discos, mas viraram um marco por terem apresentado Sinatra – inicialmente, contra sua vontade – a um jovem arranjador chamado Nelson Riddle.

In The Wee Small Hours foi lançado pouco depois de o romance entre Sinatra e Ava Gardner ter terminado, e esse rompimento talvez tenha tornado este o melhor álbum de todos os tempos sobre o tema da separação. O Sinatra do imaginário popular, aquele sujeito meio malandro, sempre com uma piada na ponta da língua, não aparece aqui – ele é um homem, apenas. Os vendedores de discos que costumavam colocar Sinatra na prateleira de easy listening certamente nunca o tinham ouvido cantar as confissões de bêbado de “Can’t We Be Friends?”, e muito menos suplicar como em “What Is This Thing Called Love”, de Cole Porter. E “Mood Indigo”, de Duke Ellington, nunca havia soado tão melancólica.

Riddie enquadra essa amargura toda em arranjos delicados naquele que hoje é considerado o primeiro disco em que a parceria realmente funcionou. Outros se seguiram, embora num novo formato, exótico para a época. Inicialmente lançado em dois discos de 10 polegadas, In The Wee Small Hours foi logo depois reeditado em 12 polegadas, antecipando, sem querer, a era do LP.

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