Embora tenha gravado poucos discos, Fred Neil foi uma figura-chave na transição do folk para o folk-rock. Nascido na Flórida, mas vivendo no bairro boêmio de Greenwich Village, em Nova York, ele causou impacto imediato com seu álbum de estreia, em 1965, Bleecker & MacDougal, que apresentava ainda John Sebastian (da banda The Lovin’Spoonful) na harmônica. Depois de indignar os puristas do gênero ao misturar instrumentos alétricos e acústicos, Neil deu um passo além com esta síntese revolucionária de folk, rock e jazz, unidos por canções hipnóticas e pelo mel de sua voz.
Este disco, essencial para cantores e compositores, não tem desperdício. Isto posto, pode-se destacar dois momentos máximos. Um clássico pouco valorizado, “Everybody’s Talkin’”, Tornou-se um sucesso mundial na voz de Harry Nilsson, que fez uma versão mais acelerada para o filme Perdidos Na Noite. “The Dolphins” contém uma melodia insinuante e obscura, enquanto a letra combina filosofia e ecologia. A música foi várias vezes interpretada por Tim Buckley e o autor doou os royalties para organizações em defesa dos golfinhos.
Outra discípula famosa de Neil foi Mama Cass Elliott, do The Mamas And The Papas, que supostamente fez os backing vocals creditados como “UFO” em “Badi-Da”. O humor negro do artista aparece no balanço de “That’s The Bag I’m In”, e o blues de “Sweet Cocaine” dispensa comentários. Um exercício progressivo, “Cynicrustpetefredjohn Raga”, encerra o álbum de forma exótica através do mágico bandolim grego de Cyrus Faryar e seu efeito de leveza.

