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“One Nation Under A Groove” do Funkadelic (1978)

O Funkadelic liberou o rock da bad trip psicodélica das bandas americanas da Costa Oeste na virada dos anos 60. O grupo também teve um papel importante na transferência dos sons e ritmos negros para o rock branco. A participação de vários ex-integrantes da banda de apoio de James Brown, os JBs – que incluíam o ás do baixo e extraordinário showman Bootsy Collins -, era um ingrediente vital no malte poderoso do Funkadelic.

O senso de humor absurdo do líder do Funkadelic, George Clinton, se manifestava não apenas no figurino colorido e excêntrico que usava, ou em suas performances quase circenses, mas também nas letras, nos nomes das músicas e no conceito artístico coerente dos discos da banda. One Nation Under A Groove foi lançado numa época em que os dois projetos liderados por Clinton – o Parliament e o Funkadelic, que reuniam um time de músicos praticamente idêntico – se fundiram num único grupo conceitual, chamado P-Funk. Os componentes da nova banda garantiam que os fãs iriam experimentar experiências transcendentais ao ouvir a música.

One Nation Under A Groove ganhou um disco de platina. Sem surpresa: há faixas de puro funk, descendentes diretas de James Brown e Sly Stone (“One Nation Under A Groove”, “Grooveallegiance”), guitarras no estilo Jimi Hendrix (“Who Says A Funk Band Can’t Play Rock?”) e batidas dance de vanguarda produzidas por sintetizadores e outros equipamentos eletrônicos. A faixa-título, aliás, ficou em primeiro lugar na parada de R&B americana e se tornou um dos maiores hinos do Funkadelic.

One Nation Under A Groove: YouTube Preview Image

Grooveallegiance: YouTube Preview Image

Who Says A Funk Band Can’t Play Rock?: YouTube Preview Image

“Maggot Brain” do Funkadelic

Seus dois primeiros álbuns – o de estreia, em 1970, com um acid rock desvirtuado pela influência do blues, e o segundo, Free Your Mind And Your Ass Will Follow, com tintas de psych rock – apresentaram o Funkadelic como um estilo de vida, uma religião. Este terceiro lançamento mostra o grupo no auge de seus poderes criativos.

A começar pela capa: uma cabeça de mulher, a boca escancarada num grito, brotando da terra. O texto cita ensinamentos da seita satanista Process Church Of The Final Judgment. Depois, a música: feroz e audaciosa, mescla letras arrepiantes (“I have tasted the maggots in the mind of the universe”) com uma partitura lúgubre, demente e transcendental. “Na época, as pessoas diziam: ‘Vocês não podem fazer isso num disco’”, contou o líder George Clinton. “E eu respondi: ‘Aposto a sua mãe como eu posso’”.

Gravado no Universal Studios, em Detroit, entre o final de 1970 e o início de 1971, Maggot Brain se destacou pela ebulição gospel (“Can You Get To That”) e pelos ritmos pulsantes do funk rock (“Super Stupid”). Também bateu fundo com sua aguçada crítica social – “You And Your Folks, Me And My Folks”, que ataca furiosamente o racismo, e “Wars Of Armageddon”, que aborda as consequências traumáticas da Guerra do Vietnã.

Mas a força total do álbum está na faixa-título. Reza a lenda que Clinton descobriu, largado num apartamento em Chicago, o corpo em decomposição de seu irmão, com o crânio arrebentado – daí a expressão “maggot brain” (“cérebro em decomposição”). Ele trancou o guitarrista Eddie Hazel no estúdio com a ordem: “Toque como se sua mãe tivesse acabado de morrer”. E foi o que Hazel fez, num solo de guitarra espectral e melancólico, de nove minutos de duração, que eclipsou tudo o que ele e o grupo fizeram, antes e depois.

Can You Get To That: YouTube Preview Image

Super Stupid: YouTube Preview Image

You And Your Folks, Me And My Folks: YouTube Preview Image

Wars Of Armageddon: YouTube Preview Image

Maggot Brain: YouTube Preview Image

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