No momento em que a maioria das pessoas pensava em Vanilla Ice quando se falava em rappers brancos, o álbum de estreia hom&onimo do G. Love And Special Sauce criou uma forma completamente nova de fazer um hip-hop autêntico, convincante e afetuoso. Em uma simples música, “Blues Music”, G. Love menciona Blind Lemon Jefferson, Jimmy Smith, Woody Guthrie, Aretha Franklin, Chaka Khan e Bob Dylan – o suficiente para saber que o autor não estava interessado em imitar Dr. Dre – e, em seguida, toma de cada um deles aquilo de que necessita para criar um estilo que poderia ser definido como um blues-folk hip-hop soul.
Seguindo a rica tradição musical da Filadélfia, G. Love canta música das ruas sobre basquete (“Shooting Hoops”), bebedeiras (“Cold Beverage”) e sobre o fascínio das mulheres (“Baby’s Got Sauce”). A sonoridade barulhenta, enfatizada pela percussão estilo “vamos bater lata” de Jeffrey “The Houseman” Clemens, é uma plataforma perfeita para quem sempre sonhou com um rap de estilo livre. G. Love dispara versos mais rápido do que o ouvinte consegue digerir, como em “Fatman”, “Rhyme For The Summertime” e outras faixas.
O esquema musical extremamente original que é apresentado neste álbum de estreia curiosamente inspirou obras posteriores como Coast To Coast Motel (1995) e Yeah, It’s That Easy (1997). Também é justo dizer que a banda entrou para a história por ter apresentado o vocalista/surfista Jack Johnson no single “Rodeo Clowns”, mas o seu verdadeiro legado está sobretudo em ter conseguido limpar o estigma de Vanilla Ice para outros rappers brancos.








