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“No Other” de Gene Clark

Esquecido de forma imediata – e injusta – assim que foi lançado em 1974, No Other, de Gene Clark, passou os 30 anos seguintes sob a acusação de ser um dos discos mais caros e dispensáveis de todos os tempos. Essa fama, porém, como comprovou sua primeira reedição, é totalmente descabida. Em muitos aspectos, No Other era, e continua sendo, uma contribuição sensacional ao cânone do rock dos anos 70 da Costa Oeste.

Para fazer No Other, Clark juntou alguns dos melhores músicos de estúdio do mundo – Butch Trucks, Chris Hillman, Danny Kortchmar, Tomithy B. Schmidt. A combinação desses talentos, pincelada pelo dom de Clark para fazer narrativas argutas, tornou o álbum uma aventura ampla e ambiciosa que une country, rock, jazz, blues e sons psicodélicos. Este híbrido – que a gravadora, mais tarde, se recusou a lançar – era absolutamente maravilhoso: só a faixa de abertura, “Life’s Greatest Fool”, já ridiculariza a injusta má fama do disco. Também merece destaque a faixa-título, que começa como um post mortem da música da Costa Oeste mas muda rapidamente para algo mais ousado, com o coro gospel e a guitarra estranha, com toques de vodu, tocada pelo próprio Clark. “Strength Of Strings”, com sua slide guitar, é tão mágica como as canções de Clark para seu antigo grupo, os Byrds.

Nesse contexto do cenário musical pós-Byrds, em Los Angeles, No Other figura como um álbum inovador. É possível perceber no trabalho uma habilidade musical que ressurgiu, com muito mais sucesso, na obra do Fleetwood Mac.

No Other: YouTube Preview Image

“White Light” de Gene Clark

Depois de lançar alguns deliciosos trabalhos de country rock, acompanhado pelo banjo de Doug Dillard, Gene Clark voltou à estrada solo que havia seguido ao deixar os Byrds, em 1966. O resultado foi White Light, um dos melhores álbuns do universo americano de cantores-compositores, e um dos melhores do folk rock. Seu fracasso comercial se deve mais às idiossincrasias e à forte personalidade de Clark do que a falhas do disco.

Em seu refúgio perto de Mendocino, na Califórnia, Clark produziu um repertório de músicas mais intimistas e poeticamente complexas. Há um certo ar de desolação por todo o disco, mas as canções são de uma beleza que se iguala a seus melhores momentos nos Byrds. Com a ajuda do guitarrista Jesse Ed Davis, que tocava em Los Angeles com Leon Russel, e um time de músicos que incluía Chris Ethridge (baixo), Gary Mallaber (bateria), Mike Utley (órgão), Ben Sidran (piano), John Selk (guitarra) e Bobbye Hall (percussão), ele gravou uma obra-prima acústica.

Além das canções originais – com destaque para “With Tomorrow”, “Spanish Guitar”, “Because Of You” e “White Light” -, há uma excelente versão de “Tears Of Rage”, de Bob Dylan e Richard Manuel, do álbum de estreia da The Band, Music From Big Pink.

Por razões desconhecidas, o título do disco, escolhido por Clark e a A&M, não aparece na capa junto a seu nome, mas o projeto gráfico austero está em perfeita sintonia com a atmosfera melancólica do álbum.

Uma aula para qualquer cantor-compositor.

With Tomorrow: YouTube Preview Image

Spanish Guitar: YouTube Preview Image

Because Of You: YouTube Preview Image

White Light: YouTube Preview Image

Tears Of Rage: YouTube Preview Image

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