Esquecido de forma imediata – e injusta – assim que foi lançado em 1974, No Other, de Gene Clark, passou os 30 anos seguintes sob a acusação de ser um dos discos mais caros e dispensáveis de todos os tempos. Essa fama, porém, como comprovou sua primeira reedição, é totalmente descabida. Em muitos aspectos, No Other era, e continua sendo, uma contribuição sensacional ao cânone do rock dos anos 70 da Costa Oeste.
Para fazer No Other, Clark juntou alguns dos melhores músicos de estúdio do mundo – Butch Trucks, Chris Hillman, Danny Kortchmar, Tomithy B. Schmidt. A combinação desses talentos, pincelada pelo dom de Clark para fazer narrativas argutas, tornou o álbum uma aventura ampla e ambiciosa que une country, rock, jazz, blues e sons psicodélicos. Este híbrido – que a gravadora, mais tarde, se recusou a lançar – era absolutamente maravilhoso: só a faixa de abertura, “Life’s Greatest Fool”, já ridiculariza a injusta má fama do disco. Também merece destaque a faixa-título, que começa como um post mortem da música da Costa Oeste mas muda rapidamente para algo mais ousado, com o coro gospel e a guitarra estranha, com toques de vodu, tocada pelo próprio Clark. “Strength Of Strings”, com sua slide guitar, é tão mágica como as canções de Clark para seu antigo grupo, os Byrds.
Nesse contexto do cenário musical pós-Byrds, em Los Angeles, No Other figura como um álbum inovador. É possível perceber no trabalho uma habilidade musical que ressurgiu, com muito mais sucesso, na obra do Fleetwood Mac.








