Embora 1974 possa ser visto como o ano do apogeu dos excessos do rock progressivo, este álbum é sombrio e frágil, com uma instrumentação frugal. Gravado na zona rural do País de Gales numa época difícil para o genesis – os vocais de Peter Gabriel foram registrados à parte, no Island Studios, em Londres -, o disco, na verdade, mostra o grupo em sua melhor forma.
Gabriel, naqueles tempos, era considerado um compositor sério e tomou para si a tarefa de escrever um Pilgrim’s Progress (O Peregrino) moderno. A obra conta a história de Rael, um punk de rua porto-riquenho que se veste todo de couro. Um dia ele vê um cordeiro deitado em plena Broadway. Pode-se questionar se alguém, inclusive Gabriel, entendeu a história, mas o álbum duplo contém suas letras mais consistentes e a performance instrumental mais expressiva da banda.
“Back In NYC”, mais tarde revisitada por Jeff Buckley em suas últimas gravações, é um anúncio do punk; “In The Cage”, com oito minutos, marca o clímax do álbum, assim como “Supper’s Ready”; “Carpet Crawlers” foi outro hino do grupo; e “The Chamber Of 32 Doors” permite que Gabriel libere a soul music na qual havia mergulhado quando era adolescente.
O álbum, que tem uma capa lima e moderna, foi finalmente lançado, sob aplauso geral, em 1974. É um disco de vocalista, o que explica porque os músicos o odiaram e porque Gabriel o adorou. É claro que ele não teria mais tanta liberdade no Genesis e, ao final da exaustiva turnê mundial para a divulgação do álbum, Gabriel deixou o grupo.








![Genesis_selling_england_by_the_pound-front[1]](http://fmanha.com.br/blogs/overdrive/files/2010/07/Genesis_selling_england_by_the_pound-front1-300x300.jpg)





