Arquivos

Categorias

“Listen Without Prejudice Vol. 1″ de George Michael (1990)

“There’s something deep inside of me / There’s someone I forgot to be” (“Tem algo bem fundo em mim / Algo que me esqueci de ser”), cantou george Michael em “Freedom 90″, o single de sucesso que documentou a sua decisão de não se conformar com as restrições da sua carreira pop altamente bem-sucedida e esculpir um nicho em que fosse reconhecido como um artesão do pop, como Prince. Poucas estrelas do pop haviam sido tão explícitas em relação às suas intenções, mas, depois de ter sido detido pela polícia por atentado à decência em 1998, é impossível resistir à tentação de ler em Listen Without Prejudice Vol. 1 mais do que uma mudança de orientação profissional.

Não obstante, apesar de serem indubitavelmente sinceras, as letras não revelam quase nada sobre a sexualidade reprimida do cantor. Era a música que provava que Michael havia se tornado um artista de peso. Assimilando diversas fontes – Marvin Gaye, Stevie Wonder, Beatles, Rolling Stones, Primal Scream (“Freedom”) e até mesmo o conjunto de jazz-pop Martin Stephenson And The Daintees (“Waiting For That Day”) -, o artista reuniu músicas bem acabadas e com substância, influenciadas por diversos estilos musicais. A jazzística “Cowboys And Angels” demonstrava autoconfiança, enquanto “Heal The Paion”sugeria que, além de ter um sólido controle sobre a composição, Michael era também um baixista capaz de realizar bons floreados que lembravam Paul McCartney.

Apesar do triunfo crítico, o álbum foi uma calamidade para a carreira de George Michael, que culpou a gravadora pelas baixas vendas. Quando assinou contrato com outra gravadora, sua carreira e sua ambição já tinham perdido bastante fôlego.

Freedom 90: YouTube Preview Image

Waiting For That Day: YouTube Preview Image

Cowboys And Angels: YouTube Preview Image

Heal The Pain: YouTube Preview Image

Praying For Time: YouTube Preview Image

“Faith” de George Michael (1987)

Desde que o Wham! realizou o show de despedida diante de 72 mil fãs no estádio de Wembley, em 1986, não era preciso ser muito perspicaz para adivinhar que George Michael seguiria uma bem-sucedida carreira solo. Ele era o compositor e cantor principal e possuía o belo rosto que milhões de jovens haviam colado na parede de seus quartos. Com o álbum Faith, ele conseguiu ultrapassar todas as expectativas.

O disco vendeu 10 milhões de cópias em todo o mundo (foi o primeiro álbum de um artista branco a chegar ao primeiro lugar na parada norte-americana de R&B) e gerou sete singles triunfantes que colocaram George Michael na mesma estratosfera de celebridades onde se encontravam Michael Jackson, Madonna e Prince. Tanto a comunidade gay quanto os heterossexuais adaptaram o visual da barba por fazer, roupa de couro e brinco como na foto de George Michael na capa.

Faith abria de forma quase teatral, com um órgão de igreja tocando um fragmento de uma música do Wham!, “Freedom”, como se fosse um funeral para um amigo, e depois a contagiante faixa-título segue em frente na levada do violão de Bo Diddley. O clima muda subitamente quando o cantor entra na romântica “Father Figure” e depois se agita novamente na controversa “I Want Your Sex, Pts. 1 & 2″. Três músicas – apenas isso – foi o que George Michael precisou para deixar para trás seu passado de músicas tolas.

A grandeza do álbum residia no modo como ele combinava, sem esforço, pop, dance e R&B num som único. O fato de, ainda hoje, a maior parte dessas músicas apresentar uma qualidade superior a grande parte do que é tocado nas rádios justifica e comprova a grandeza de Faith.

Faith: YouTube Preview Image

Father Figure: YouTube Preview Image

I Want Your Sex, Pts. 1 & 2: YouTube Preview Image

Kissing A Fool: YouTube Preview Image

Copyright © 2010 - Folha da Manhã - Todos os direitos reservados