“There’s something deep inside of me / There’s someone I forgot to be” (“Tem algo bem fundo em mim / Algo que me esqueci de ser”), cantou george Michael em “Freedom 90″, o single de sucesso que documentou a sua decisão de não se conformar com as restrições da sua carreira pop altamente bem-sucedida e esculpir um nicho em que fosse reconhecido como um artesão do pop, como Prince. Poucas estrelas do pop haviam sido tão explícitas em relação às suas intenções, mas, depois de ter sido detido pela polícia por atentado à decência em 1998, é impossível resistir à tentação de ler em Listen Without Prejudice Vol. 1 mais do que uma mudança de orientação profissional.
Não obstante, apesar de serem indubitavelmente sinceras, as letras não revelam quase nada sobre a sexualidade reprimida do cantor. Era a música que provava que Michael havia se tornado um artista de peso. Assimilando diversas fontes – Marvin Gaye, Stevie Wonder, Beatles, Rolling Stones, Primal Scream (“Freedom”) e até mesmo o conjunto de jazz-pop Martin Stephenson And The Daintees (“Waiting For That Day”) -, o artista reuniu músicas bem acabadas e com substância, influenciadas por diversos estilos musicais. A jazzística “Cowboys And Angels” demonstrava autoconfiança, enquanto “Heal The Paion”sugeria que, além de ter um sólido controle sobre a composição, Michael era também um baixista capaz de realizar bons floreados que lembravam Paul McCartney.
Apesar do triunfo crítico, o álbum foi uma calamidade para a carreira de George Michael, que culpou a gravadora pelas baixas vendas. Quando assinou contrato com outra gravadora, sua carreira e sua ambição já tinham perdido bastante fôlego.











