Isso é música country sombria, rural – com um toque de antigas canções montanhesas -, perturbadora, comovente e selvagemente bela. Será que importa o fato de que essas canções “autênticas” e “tradicionais” do interior tenham sido, na verdade, compostas por uma artista sofisticada nascida e criada em Los Angeles, formada pela Universidade de Berkeley? Isso até pode incomodar alguns, mas francamente não deveria. Um material dessa qualidade transcende de forma eloquente e poderosa as picuinhas de qualquer purista. Além disso, este álbum possui um toque contemporâneo que talvez não seja evidente à primeira vista, seja nas letras fluidas e doloridas de Gillian Welch, seja no fraseado hábil e direto de seu parceiro musical, o extraordinário guitarrista David Rawlings. Não podemos esquecer, como disse a própria cantora, que “Gillian Welch é uma banda com dois integrantes”.
Este é o terceiro álbum e certamente o melhor. Foi lançado no mesmo momento em que o filme E Aí, Irmão, Onde Está Você? reavivou o interesse dos Estados Unidos por suas raízes musicais, confirmando o potencial do duo e consolidando sua reputação. Gravado em equipamentos vintage (antigos, porém de alta qualidade) no histórico Studio B de Nashville, o som é nítido e claro, celestialmente puro, enquanto o violão dedilhado espaçadamente combina perfeitamente com as harmonias vocais para conseguir um efeito etéreo e vibrante.
O álbum se desdobra como um tapete vermelho. Desde uma ode a Elvis Presley até referências a um presidente morto, cada música revela-se um sutil relance de poesia e fervor, retorcendo-se e tremulando em direção ao fascinante fechamento do disco, uma faixa de 15 minutos chamada “I Dream A Highway”. Um épico sobre paixões perdidas ou desgastadas. Este é um som profundo como uma mina e sombriamente escuro.





