Colocar rótulos é o passatempo favorito dos críticos, mas este álbum de estreia resistiu às categorizações apressadas. Música eletrônica cinematográfica, algumas vezes glacial, outras decadente, ao mesmo tempo sedutora e ameaçadora.
Alison Goldfrapp canta como se estivesse num cabaré, como já podia ser notado em algumas ocasiões anteriores, a Felt Mountain, a mais notável delas em Maxinquaye, de Tricky. Seu estilo peculiar acabou encontrando um lugar junto às composições orquestrais estranhas e notáveis de Will Gregory, mergulhadas em cordas e aberturas de outro mundo.
O álbum não poderia ter um início mais perfeitamente estranho do que “Lovely Head”: trata-se de um caldeirão de melodrama, com assobios na introdução, versos desconexos como “Frankenstein would love your mind” e arranjos inventivos que evidenciam as raízes no estilo “faça você mesmo” do álbum. Tudo isso pega o ouvinte desprevenido no início. Contudo, houve público suficiente para que a visão oblíqua da dupla entrasse na consciência coletiva britânica, levando o álbum a vender meio milhão de cópias.
O resto do disco é igualmente irresistível. Goldfrapp se diverte com seu papel de Sally Bowles (protagonista do filme Cabaret) moderna, transformando a sua voz num instrumento, mais do que um mero condutor de palavras. “Human” é um estudo sobre a indiferença fria. A música que dá o título ao álbum é hipnótica, enquanto “Oompa Radar” é completamente bizarra. As influências cinematográficas de Gregory são evidentes por todo o disco; há uma menção a Sergio Leone nos agradecimentos, embora John Barry e Ennio Morricone também nos venham à mente.
A trilha sonora de um filme que ainda pode ser produzido. “Único” é a melhor definição possível.






