Antes de Timeless, no início dos anos 90, o jungle e o drum ‘n’ bass eram os novos sons do underground da Inglaterra. O jungle precisava de uma cara e de uma voz, e foi então que surgiu Goldie, um personagem quase folclórico com um passado nebuloso e uma óbvia paixão pela música. Timeless foi um dos primeiros álbuns de drum ‘n’ bass e o primeiro a ser um verdadeiro sucesso.
O single que abre o disco e dá nome ao álbum é uma música ambiciosa com mais de 20 minutos em três movimentos. “Timeless” é ao mesmo tempo majestosa, ambient, soul e furiosa – um tour de force com ritmos de bateria complexos e linhas de baixo memoráveis. “Saint Angel” trazia sintetizadores e hi-hats bem agudos que entravam em um crescente furioso até criar um ritmo de bateria cortante como uma navalha. “State Of Mind” é uma música mais doce, com a voz meiga de Loma Harris sobre um piano, cordas e um ritmo delicado de hip-hop. “Angel” tem ritmos misteriosos e ameaçadores, baterias mutantes que interagem com uma linha de baixo diabólica. Outra música digna de nota é a épica e perfeita “Sea Of Tears”. A respeito dela, Goldie disse: “Tem os seus recantos sombrios… todops têm recantos assim e os meus estão em ‘Sea Of Tears’”. “Inner City Life” é melancólica mas eufórica ao mesmo tempo, com a voz quente de Diane Charlemagne sobre cordas climáticas, breakbeats meticulosamente editados e um baixo subsônico.
Alguns dos sons deste álbum soam datados hoje, mas poucos produtores de dance conseguiram realizar uma visão artística tão ambiciosa. Este é o som de um jazz futurista oriundo de um planeta distante usando os ritmos mais penetrantes.







