Quando o vocalista do R.E.M. Michael Stipe disse que Fuzzy era “o melhor álbum do ano”, apenas confirmou as opiniões positivas da crítica a respeito do country alternativo gótico de Grant Lee Buffalo.
Gravado em apenas duas semanas nos estúdios Brilliant, de São Francisco, o disco era uma alternativa à cena grunge já meio saturada da América do Norte, retirando grande inspiração da fundição com mais de 100 anos onde foi gravado. Aquilo que havia começado por uma série de demos caseiras compostas por um trio de amadores transformou-se num disco resplandescente com músicas sobre história e política, cheio de guitarras de 12 cordas com overdrive, baterias ruidosas e o vigor de um órgão de tubos.
Tal como aconteceu com os primeiros cantores de blues, as letras de Philips eram inspiradas tanto no estado de sua nação como na mitologia das grandes planícies. Músicas como “Stars N’ Stripes” e “America Snoring” puderam ser levadas aos grandes palcos que mereciam graças à participação da banda na abertura dos concertos do Pearl Jam e do Cranberries.
Com o baixista Paul Kimble na produção, o grupo conseguiu manter o controle sobre as suas músicas, criando uma orquestração adequada às narrativas melódicas de Philips. O grito de “Grace”, destilando veneno, está perfeitamente encaixado ao lado de músicas jazzísticas relaxantes como “You Just Have To Be Crazy”. Mesmo não tendo vendido os milhões de cópias que muitos achavam que seriam merecidas, Fuzzy se tornou uma referência para toda uma nova geração de trovadores vindos da América do Norte mais profunda que queriam um lugar na luz sedutora dos palcos das grandes metrópoles.







