Uma leitura rápida dos títulos das músicas deste disco nos leva a crer que Alien Lanes pertence a uma banda de punk hardcore – 28 faixas ao todo, sendo que apenas quatro têm mais que dois minutos e uma tem míseros 18 segundos. Mas, na realidade, este álbum não é mais do que uma doce genialidade melódica, uma miscelânea pop lo-fi que destila ganchos pop como uma invasão dos anos 60 da Inglaterra até o nécleo mais essencial.
Alien Lanes foi o segundo álbum da banda para o selo independente Matador, o nono da banda no cômputo geral e a continuação da pequena revolução que foi Bee Thousand. As expectativas eram bem altas: muitos esperavam um som bem produzido que levasse a banda ao grande público. O disco nunca chegou às rádios, mas fortaleceu a base de seguidores que consideravam a banda cult. The Strokes citou o Guided By Voices como uma de suas maiores influências e fez uma versão da primeira faixa, “A Salty Salute”, sete anos depois, enquanto a Pithfork Media continua listando o trabalho como um dos melhores da década de 90.
As músicas são aparentemente simples – o som rudimentar e com chiados nos dá a sensação de estarmos ouvindo fitas demo de um ensaio em porão e não uma gravação de estúdio trabalhada. É por isso que a revista Rolling Stone chamou o disco de “uma gravação pirata preciosa”, e o vocalista da banda, Robert Pollard, admitiu exatamente o mesmo numa entrevista em 1995: “Somos apenas pretendentes a músicos clássicos de rocl. Tudo o que tínhamos eram nossos porões e gravadores de quatro canais. Várias vezes fomos para os grandes estúdios, mas nunca funcionou.”.


