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“Celebrity Skin” do Hole (1998)

Quando ela morre na banheira, quem é capaz de não chorar? Courtney Love está fantástica em O Povo Contra Larry Flint, um sinal grafado em celuloide que seus anos pós Kurt Cobain não seriam apenas bravatas. “Hole é uma banda”, afirmou a Rolling Stone, “mas Courtney Love é uma telenovela”.

O legado usical do seu apogeu em Hollywood, em meados dos anos 90, é Celebrity Skin. A partir do zunido que abre a faixa-título, é uma viagem vertiginosa a uma terra de Oz pós-grunge. Courtney é meio Dorothy, meio Bruxa Má, alternadamente abençoando e arrasando aqueles que cruzam seu caminho.

Enquanto as letras deslizam entre o sol e a sombra, a guitarra de Eric Erlandson grita e agride, o baixo de Melissa Auf Der Maur ronca e se agita e a bateria de Patty Schemel percute e ressoa. Acima de todos eles impõe-se a voz de Courtney, mais potente do que nunca, que ruge onde antes gritava. Seus coautores também são fundamentais: Billy Corgan, do Smashing Pumpkins, Jordan Zarozni, do Blinker The Star, e Charlotte Caffey, do Go Go’s, além do produtor Michael Beinhorn.

Há material de sobra para os detetives caseiros: “Boys On The Radio” fala de Jeff Buckley, de Brian Wilson e de Evan Dando, do Lemonheads; “Awful”, de Gavin Rossdale, do Bush; “Morthern Star” deve referir-se a Cobain; e “Playing Your Song” se encaixa como uma luva gótica um Trent Reznor.

Fofocas à parte, Celebrity Skin é uma obra-prima melódica, porém incompreendida. “Fiquei muito desapontado, pensando nela [em Courtney], porque as pessoas não entenderam este disco”, lamentou Stevie Nicks, a musa de Love. O álbum dá o mesmo salto sonoro que o clássico Live Through This, de 1994, deu em relação a Pretty On The Inside, de 1991, e completa assim a trilogia de álbuns clássicos do Hole.

Celebrity Skin: YouTube Preview Image

Boys On The Radio: YouTube Preview Image

Awful: YouTube Preview Image

Northern Star: YouTube Preview Image

Playing Your Song: YouTube Preview Image

Malibu: YouTube Preview Image

Reasons To Be Beautiful: YouTube Preview Image

“Live Through This” do Hole (1994)

A melodia apanhou feio no primeiro trabalho do Hole, Pretty On The Inside: nrilhante, de alguma forma, mas um trabalho dofícil. Live Through This, por outro lado, nos convida a gritar um uníssono. A maioria das músicas foi composta no casulo de Courtney Love e Kurt Cobain – de onde saíram versos como “não lavo os pratos, eu os jogo fora” -, o que gerou críticas dizendo que as letras foram escritas por Cobain.

Courtney admitiu à revista Q que “os vocais de Kurt estavam em quase todas as faixas, mas bem no fundo. Ele só vinha me mostrar algumas harmonias e depois dizia, está bem, fica com algumas das minhas…”. Stuart Moxham, do Young Marble Giants, e Kat Bjelland, do Babes In Toyland, também deixaram as suas impressões neste álbum.

Mas o espetáculo era de Courtney. Ela é ríspida mas confiante ao longo do disco. “Quero ser a garota com a maior fatia do bolo” (“Miss World”) evoca a briguenta que era a encarnação de Courtney para a mídia. “Finjo tão bem que estou além do fingimento”, em “Doll Parts”, chegou a merecer a aprovação de Joni Mitchell.

Há muitos mitos em torno do álbum Live Through This. É dedicado a Joe Cole, um amigo assassinado quando voltava de um concerto do Hole acompanhado de Henry Rollins. O disco foi lançado entre as mortes de Cobain e da baixista Kristen Pfaff. Sua última música perdida, “Rock Star”, foi substituída no álbum – mas não nos créditos – por “Olympia”. Nessa música Courtney diz: “Você queria estar no Nirvana? Acho que iria preferir estar morto”.

Um trabalho mais fraco teria cedido, mas Live Through This se mantém altivo.

Miss World: YouTube Preview Image

Doll Parts: YouTube Preview Image

Olympia: YouTube Preview Image

Violet: YouTube Preview Image

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