Quando ela morre na banheira, quem é capaz de não chorar? Courtney Love está fantástica em O Povo Contra Larry Flint, um sinal grafado em celuloide que seus anos pós Kurt Cobain não seriam apenas bravatas. “Hole é uma banda”, afirmou a Rolling Stone, “mas Courtney Love é uma telenovela”.
O legado usical do seu apogeu em Hollywood, em meados dos anos 90, é Celebrity Skin. A partir do zunido que abre a faixa-título, é uma viagem vertiginosa a uma terra de Oz pós-grunge. Courtney é meio Dorothy, meio Bruxa Má, alternadamente abençoando e arrasando aqueles que cruzam seu caminho.
Enquanto as letras deslizam entre o sol e a sombra, a guitarra de Eric Erlandson grita e agride, o baixo de Melissa Auf Der Maur ronca e se agita e a bateria de Patty Schemel percute e ressoa. Acima de todos eles impõe-se a voz de Courtney, mais potente do que nunca, que ruge onde antes gritava. Seus coautores também são fundamentais: Billy Corgan, do Smashing Pumpkins, Jordan Zarozni, do Blinker The Star, e Charlotte Caffey, do Go Go’s, além do produtor Michael Beinhorn.
Há material de sobra para os detetives caseiros: “Boys On The Radio” fala de Jeff Buckley, de Brian Wilson e de Evan Dando, do Lemonheads; “Awful”, de Gavin Rossdale, do Bush; “Morthern Star” deve referir-se a Cobain; e “Playing Your Song” se encaixa como uma luva gótica um Trent Reznor.
Fofocas à parte, Celebrity Skin é uma obra-prima melódica, porém incompreendida. “Fiquei muito desapontado, pensando nela [em Courtney], porque as pessoas não entenderam este disco”, lamentou Stevie Nicks, a musa de Love. O álbum dá o mesmo salto sonoro que o clássico Live Through This, de 1994, deu em relação a Pretty On The Inside, de 1991, e completa assim a trilogia de álbuns clássicos do Hole.













