Em 1968, o sucesso do single pop “Grazing In The Grass” permitiu que Hugh Masekela lançasse seu próprio selo, Chisa Records, mas os tempos tinham mudado. O jazz não estava mais na moda. John Coltrane tinha morrido, Miles Davis queria ser Jimi Hendrix e a Motown havia cancelado o contrato de distribuição dos discos de Masekela. Depois de mais de uma década no exílio, “Bra Hugh” estava começando a sentir saudades de casa. Ele sabia que não podia voltar para a loucura do apartheid, mas sua ex-mulher, Miriam Makeba, tinha ido à Guiné Bissau e lá conheceu o saxofonista Fela Kuti, que estava começando sua própria revolução no jazz – então, talvez, como dizia o título do álbum que ele acabou lançando, o lar fosse onde a música estava.
Gravado poucos meses antes de sua própria partida para a Guiné, Home Is Where The Music Is traz Masekela explorando sua herança do jazz africano. Nada daquelas versões patenteadas de pop: o álbum tem um repertório pan-africano que rejuvenesce o soul jazz do compositor exilado Caiphus Semenya (“Ingoo Pow-Pow”) ao lado de ritmos bop da metrópole (“The Big Apple”). O sax alto de Dudu Pukwava, do Brotherhood Of Breath, e a potente bateria de Nakhaya Ntshoko, movida a energia mbaqanga, faz um maravilhoso contraponto funk ao blues melancólico do pianista Larry Willis e do baixista Eddie Gomez.
E Masekela? Ele manda ver num solo de flugelhorn em “Blues Hor Fuey”, de Kippie Moeketsi, que leva diretamente ao vibrante swing dos bares de Sophiatown nos anos 50.


