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“The Predator” de Ice Cube (1992)

O álbum mais agressivo que já atingiu o primeiro lugar das paradas dos Estados Unidos? Certo. Uma obra-prima do rap? Certo.

No Natal de 92 não havia rapper mais famoso do que Ice Cube. MC Hammer e Public Enemy estavam fora do jogo. Snoop Dogg ainda tinha pouca importância. Mas Ice Cube já tinha conseguido um disco de platina com o venenoso Death Certificate e havia se tornado uma estrela de cinema com o filme Boyz ‘N The Hood (Os Donos da Rua).

Mas nenhum outro artista se encontrava em melhor posição para articular a raiva dos afro-americanos quando quatro policiais de Los Angeles foram declarados inocentes após terem abusado do uso da força ao espancarem Rodney King. Os distúrbios se espalharam por toda a cidade. Ice Cube capta tudo isso num álbum que ainda emociona tantos anos depois de suas referências terem sido parcialmente esquecidas.

Ornamentado com uma fotografia provocadora de Pamela, o álbum está repleto de um funk com atitude. Os destaques são “We Had To Tear This Mothafucka Up” – o ataque mais violento de Ice Cube aos policiais, com produção de fazer tremer as caixas por DJ Muggs (Cypress Hill) – e a irônica “It Was A Good Day”, que usa um loop do Isley Brothers no fundo.

O disco também lança dardos envenenados à Billboard, que tinha detonado Death Certificate. A vingança de Cube foi completa quanto The Predator conseguiu ser o primeiro álbum a ser lançado direto em primeiro lugar nas paradas de pop e R&B, algo que não acontecia desde o genial Songs In The Key Of Life de Stevie Wonder. Este álbum brilhante, que foi duplo de platina, constitui apenas metade da história. Foi lançado ao mesmo tempo que Guerillas In Tha Mist, um álbum muito próximo ao trabalho de Ice Cube e que, artisticamente, está ao mesmo nível de The Predator. Ambos representam a última rajada do rap como força política.

We Had To Tear This Mothafucka Up: YouTube Preview Image

It Was A Good Day: YouTube Preview Image

Wicked: YouTube Preview Image

Check Yo Self: YouTube Preview Image

“AmeriKKKa’s Most Wanted” de Ice Cube (1990)

Pode ser que ele tenha mudado, mas quando os anos 90 estavam começando ninguém fazia um rap comparável ao de O’Shea “Ice Cube” Jackson. Depois de atingir a infâmia com o NWA, de quem iria se separar por questões financeiras, o músico juntou-se aos produtores do Public Enemy, The Bomb Squad. Tal como em Fear Of A Black Planet, do qual participou como convidado, AmeriKKKa’s Most Wanted era fragmentado e cheio de ira, mas funky. A conexão com o Public Enemy foi cimentada por participações de Chuck D. e Flavor Flav.

Cube muitas vezes desperdiça o seu talento como letrista escrevendo bobageiras gangsta, como acontece em “You Can’t Fade Me”, onde sugere chutar o estômago de uma grávida. Encontramos trégua em um dieto engenhoso com o seu protegido Yo-Yo (“It’s A Man’s World”), a incisiva “Endangered Species” e “Who’s The Mack?”, e no humor negro sempre presente (o refrão de “The Nigga You Love To Hate” é um bem-humorado “Fuck you, Ice Cube!”).

As letras ficaram ainda mais agressivas em Kill At Will, de 1990 (adicionado à reedição de 2003 de AmeriKKKa’s Most Wanted), e tornaram-se hipnoticamente desagradáveis em Death Certificate de 1991. Em 1992 ele atingiu o auge com Guerillas In Tha Mist, com Da Lench Mob, e com o primeiro lugar de vendas The Predator.

Depois tornou-se um ícone fofinho mais conhecido pelos filmes do que pela música. Mas não deixe de explorar os anos em que ele era um rapper vigoroso: mais assustador do que os Sex Pistols e extremamente funky.

You Can’t Fade Me: YouTube Preview Image

It’s A Man’s World: YouTube Preview Image

Endangered Species: YouTube Preview Image

Who’s The Mack?: YouTube Preview Image

The Nigga You Love To Hate: YouTube Preview Image

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