O álbum mais agressivo que já atingiu o primeiro lugar das paradas dos Estados Unidos? Certo. Uma obra-prima do rap? Certo.
No Natal de 92 não havia rapper mais famoso do que Ice Cube. MC Hammer e Public Enemy estavam fora do jogo. Snoop Dogg ainda tinha pouca importância. Mas Ice Cube já tinha conseguido um disco de platina com o venenoso Death Certificate e havia se tornado uma estrela de cinema com o filme Boyz ‘N The Hood (Os Donos da Rua).
Mas nenhum outro artista se encontrava em melhor posição para articular a raiva dos afro-americanos quando quatro policiais de Los Angeles foram declarados inocentes após terem abusado do uso da força ao espancarem Rodney King. Os distúrbios se espalharam por toda a cidade. Ice Cube capta tudo isso num álbum que ainda emociona tantos anos depois de suas referências terem sido parcialmente esquecidas.
Ornamentado com uma fotografia provocadora de Pamela, o álbum está repleto de um funk com atitude. Os destaques são “We Had To Tear This Mothafucka Up” – o ataque mais violento de Ice Cube aos policiais, com produção de fazer tremer as caixas por DJ Muggs (Cypress Hill) – e a irônica “It Was A Good Day”, que usa um loop do Isley Brothers no fundo.
O disco também lança dardos envenenados à Billboard, que tinha detonado Death Certificate. A vingança de Cube foi completa quanto The Predator conseguiu ser o primeiro álbum a ser lançado direto em primeiro lugar nas paradas de pop e R&B, algo que não acontecia desde o genial Songs In The Key Of Life de Stevie Wonder. Este álbum brilhante, que foi duplo de platina, constitui apenas metade da história. Foi lançado ao mesmo tempo que Guerillas In Tha Mist, um álbum muito próximo ao trabalho de Ice Cube e que, artisticamente, está ao mesmo nível de The Predator. Ambos representam a última rajada do rap como força política.











