OG Original Gangster é uma obra-prima arrepiante que ilustra, sem piedade, as forças complexas atuando em meio a uma subclasse negra americana esquecida e relegada a viver nos projects (conjuntos habitacionais) dos centros urbanos. Ao contrário da maioria dos artistas de gangsta rap, junto com as habituais histórias de sexo, violência e drogas pesadas, Ice-T (Tracey Morrow) busca soluções para a pobreza no gueto, levanta a voz contra o tráfico de drogas e incita todos aqueles que estão presos nesse ciclo a encontrarem uma forma qualquer de transcendê-lo.
Na música “Ed”, Ice-T conta uma história de alerta contra dirigir embriagado, enquanto em “Bitches 2″ ele explica a definição de bitch (vagabunda), deixando implícito que o termo pode ser usado para descrever homens desonestos e não apenas mulheres – uma aparente tentativa de defender a gritante misoginia do hip-hop.
OG Original Gangster apresenta Body Count, a banda de funk metal do rapper, que iria adquirir uma reputação controvertida com a violenta música “Cop Killer”. Ice-T possui enorme carisma, o que lhe rendeu uma bem-sucedida carreira de ator, mas são suas habilidades como contador de histórias que tornam suas letras e interpretação em OG Original gangster tão interessantes. A produção, por parte do The Rhyme Syndicate, usa breakbeats mínimos, com caixas de bateria agudas e secas, alem de linhas de baixo ameaçadoras e adequadas a seu personagem de gangster. Destaque para “Midnight”, que usa o sample de um riff do Black Sabbath para compor um pano de fundo fantasmagórico para a narrativa de Ice-T sobre South Central L.A. à noite. O resultado é o equivalente auditivo de um filme de terror psicológico perfeitamente filmado.




