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“Lust For Life” de Iggy Pop (1977)

O ano de 1977 foi o annus mirabilis de Iggy Pop. Ele retomou a carreira, depois de enfrentar problemas mentais e profissionais amplamente divulgados, para fazer dois álbuns que qualquer artista ficaria feliz em gravar. E também viu o movimento punk – do qual sempre foi saudado como padrinho – se realizar.

Como The Idiot, Lust For Life foi gravado nos estúdios Hansa, em Berlim, perto do Muro. Mas, se o primeiro álbum era mais contemplativo e influenciado pelo produtor David Bowie, Lust For Life representava um retorno ao som mais vigoroso dos Stooges (embora Bowie toque piano e participe dos vocais neste disco). Ou seja, se o primeiro disco era o som de regresso à música, Lust For Life apresentava muito mais autoconfiança.

A partir da efervescente introdução de bateria da faixa-título, as músicas são levadas pela seção rítmica formada pelos irmãos Sales, Hunt (bateria) e Tony (baixo) – mais tarde, essa dupla reapareceu no Tin Machine, o grupo com o qual Bowie apunhalou o hard rock sofisticado, no final dos anos 80, sobre o qual é melhor não comentar. A banda cobre, sem interrupções, uma gama de gêneros musicais, do stomp ao rock com tintas de blues.

As letras de Lust For Life são uma revelação. Pop impressiona ao falar da experiência turbulenta porque havia passado em “The Passenger”, um passeio por uma metrópole cheia de farras e bebedeiras que, se não era mais um retrato do presente, apresentava uma perfeita lembrança do passado. Ele é ainda mais cáustico em “Success”, uma ironia com seu status recém-adquirido.

Enquanto uma geração de jovens punks venerava seu trabalho anterior, Pop atingia m outro estágio da carreira.

Lust For Life: YouTube Preview Image

The Passenger: YouTube Preview Image

Success: YouTube Preview Image

“The Idiot” de Iggy Pop (1977)

Nos oito anos que se seguiram à explosão popular do primeiro álbum dos Stooges, Iggy Pop atingiu o estrelato e viveu a decadência como nenhum outro de sua geração. Depois de um período auto-imposto de reabilitação numa clínica psiquiátrica, o ídolo de Detroit ansiava por uma segunda chance, mas as gravadoras estavam temerosas – o que era compreensível – em dar uma oportunidade para um dos artistas mais instáveis do rock. Foi aí que apareceu a fada-madrinha, David Bowie.

Bowie. que tinha tocado com Iggy Pop em Raw Power, de 1974, juntou uma banda e o levou para Berlim, onde o Thin White Duke estava garimpando um rico veio de inspiração. No lugar do abandono selvagem da guitarra rascante e da seção rítimica dos Stooges, a dupla desenvolveu um som mais cerebral e suave. Os teclados e o baixo eram dominantes, o que levou Iggy a batizar o som de “James Brown encontra o Kraftwerk”.

As letras funcionaram como a redenção de Pop. Seja na ode mordaz a seus excessos anteriores de sexo e drogas em “Funtime”, seja nas repugnantes reminiscências sobre seus ex-colegas de banda em “Dum Dum Boys”, com sua introdução falada (“How about Dave? / OD-ed on alcohol… / How about James? He’s going straight”), é possível perceber que The Idiot vai um passo além do miasma mental de Iggy.

Mas, se os gritos angustiados e o barítono sinistro dão a ideia de um homem mergulhado em dor, o álbum reserva também espaço para brincadeiras. Pop imita Bowie em “China Girl” (que se tornou, depois, um hit de Bowie) e canta o hino da brigada anti-Studio 54, “Nightclubbing”. Se a reabilitação à base de música fizesse sempre tanto sucesso, as clínicas ficariam às moscas.

Funtime: YouTube Preview Image

Dum Dum Boys: YouTube Preview Image

China Girl: YouTube Preview Image

Nightclubbing: YouTube Preview Image

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