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“Shaft” de Isaac Hayes

Rififi no Harlem estreou nas telas primeiro, mas Shaft foi o precursor indiscutível do cinema blaxploitation do início dos anos 70. De enorme sucesso na época, sua trilha sonora ainda faz com que o filme seja um dos símbolos mais lembrados da época.

O compositor, produtor e arranjador Isaac Hayes criou todo o tema musical, seu maior feito numa carreira durante a qual ele escreveu, em parceria com Dave Porter, cerca de 200 hits para a Stax Records. A trilha sonora de Shaft, gravada nos estúdios da Stax, com a batida burilada dos Bar-Kays e as orquestrações tórridas dos Memphis Strings And Horns, é uma sofisticada mistura da extensa variedade do conhecimento musical de Hayes, o som de Memphis de A a Z. Ele também canta e toca vibrafone, órgão e piano elétrico.

A coisa começa com estilo, numa abertura de quatro minutos de um soul arrogante e sinfônico, recheado de um sensual vocal rap, címbalos e uma hipnótica wah-wah. A dinâmica majestosa de “Theme From Shaft” é uma ode à virilidade de Shaft, esculpindo o modelo para todos os sucessos do cinema blaxploitation e influenciando Barry White e Gamble And Huff’s Philly Sound. “Soulsville” é uma típica balada lenta de Hayes, enquanto os Bar-Kays esticam “Do Your Thing” para 20 minutos de um épico funk, sem nunca perder o ritmo. O resto do álbum é um triunfo da mood music e um tributo ao talento de Hayes como arranjador.

“Theme From Shaft” disparou para o topo das paradas americanas, garantindo a Hayes seu único primeiro lugar. O álbum duplo ganhou o Oscar de melhor trilha sonora e se tornou o disco de venda mais rápida da história da Stax.

Theme From Shaft: YouTube Preview Image

Soulsville: YouTube Preview Image

Do Your Thing: YouTube Preview Image

Walk From Regio’s: YouTube Preview Image

“Hot Buttered Soul” de Isaac Hayes

Hot Buttered Soul foi o protótipo do que seria o soul na década de 70 – com suas formas mais primárias fazendo um contraponto aos ritmos funk novos e frios de James Brown e Cia. A fórmula pop com músicas de três minutos e meio foi substituída no álbum por duas canções em cada lado do LP, apresentando uma abertura de 12 minutos em cima da básica “Walk On By” que, apesar de ter sido escrita como uma balada tristonha, exala sexo por todos os poros. De fato, este álbum, mais do que qualquer outro antes dele, é uma tentativa ostensiva de fazer make-out music – um estilo que seria copiado ao longo dos anos 70 e 80, com menos resultado, por artistas como Barry White.

A banda de apoio de Hayes, The Bar-Kays, é a estrela oculta que proporcionou maravilha atrás de maravilha para as gerações seguintes de hip hop e house. Mas o ponto alto está em “By The Time I Get To Phoenix”, de Jimmy Webb, que contém uma audaciosa abertura falada de nove minutos – um rap – no qual Hayes descreve o pano de fundo para o narrador da canção. A música só chega ao clímax depois de 15 minutos.

Nos últimos anos, a postura de Hayes como um deus do sexo vem sendo ridicularizada (até por ele mesmo, na voz do Chef em South Park). É difícil imaginar, hoje, o impacto que a foto da capa teve na época – ele aparece com a cabeça raspada, de óculos escuros e usando uma pesada corrente de ouro sobre o peito nu, simbolizando uma sexualidade selvagem e negra, livre das amarras do grande público (no caso, branco).

Walk On By: YouTube Preview Image

By The Time I Get To Phoenix: YouTube Preview Image

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