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“Olympia 64″ de Jacques Brel (1964)

O segundo álbum de Brel, de 1964, foi também o segundo do artista a ser gravado na famosa sala de concertos parisiense, equivalente ao que o Carnegie Hall ou o Royal Albert Hall eram em seus respectivos países: o sujeito não era ninguém até ter se apresentado ali. Em 16 e 17 de outubro, Brel chegou lá – pelo menor para os franceses e belgas, ele era dono do mundo. Embora não parecesse, a chanson francesa ainda estava tentando ganhar admiradores entre os resistentes americanos e ingleses (Bob Dylan certa vez descreveu Charles Aznavour como um dos melhores cantores que já tinha visto).

Lançado pouco depois do LP Les Bonbons, gravado em estúdio em 1964, Olympia 64 contém “Amsterdam”, “Mathilde” e “Tango Funèbre”, e ressuscita “Au Suivant”, todas, mais tarde, regravadas por Scott Walker. Também estão incluídas “Les Bonbons”, “Les Vieux”, “Les Toros” e “Les Bigotes”, de seu álbum anterior, mas essa repetição apenas mostra a diferença entre o Brel ao vivo e o de estúdio. No Olympia, ele mora nas canções, vive as histórias, se entregando desde o início, representando as músicas. Não há intervalo entre o drama, a sátira e a paixão. Ele morre muitas e muitas vezes ao longo de 48 minutos; o resto se passa em quartos de doentes, bordeis e bares. Em “Les Toros”, ele se transforma em um touro à beira da morte encarando seus torturadores, relacionando essa imagem com Waterloo, a batalha de Verdun e com as guerras contemporâneas em antigas colônias francesas.

O álbum, lançado com o nome de Music For The Millions nos Estados Unidos e na Inglaterra, é a razão pela qual um cantor belga ainda é um dos maiores mitos de todos os tempos.

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