Em meio à onda de grupos pop à base de sintetizadores vivida pela Inglaterra, a transição do Japan do glam rock para uma inovadora tendência artística sofisticada foi uma revelação. O terceiro LP da banda capta à perfeição a nova onda de romantismo e mostra David Sylvian como um cantor com alguma consistência. Sua voz alcança, no disco, um nível de sobriedade sedutora comparável com a de Brian Ferry, e o vocalista passou a exercer uma grande influência com sua imagem desfocada na capa.
Com dois discos subestimados debaixo do braço, toda a banda queria um pouco de atenção. A interação entre os teclados de Richard Barbieri e os acordes provocantes da guitarra de Rob Dan é quase incoerente se comparada com o pulsante baixo de Mick Karn. Não é possível existir qualquer outro instrumento, na época, tão sexy. A percussão de Steve Jansen se mantém sutil e cheia de empatia, e a voz idílica e sombria de Sylvian é como um sonho.
A faixa-título, que abre o álbum, e “Fall In Love With Me”, igualmente contagiante, parecem marcar o disco como uma obra apenas comercial e vulgar. Mas o piano outonal de “Despair” dá conta, de maneira mais justa, do que trata o LP. Melancólico e meditativo, Quiet Life se apresenta como um desafio. Uma interpretação dura de “All Tomorrow’s Parties”, de Lou Reed, se encaixa à perfeição entre as composições de Sylvian. Mas são “In Vogue” e “The Other Side Of Life” que indicam o caminho experimental para o qual ele levaria a banda. Na época, porém, o Japan era, enfim, uma estrela do pop.






