Lançado no dia 11 de setembro de 2001, The Blueprint era, paradoxalmente, justamente aquilo que o principal subgênero musical de Nova York precisava. Naquela época, o rap nova-iorquino estava dividido. O som hip-hop/soul, como concebido inicialmente por Sean “Puffy” Coombs, Ma$e e 112, tinha alcançado sucesso comercial, apesar de ofender os puristas, que defendiam o hip-hop mais sério e independente de Company Flow e Mos Def. Jay-Z não se encaixava em nenhuma das duas tendências, mesmo que neste seu sexto álbum conseguisse colocar nas músicas histórias de gente comum da cidade junto a raps sobre o luxo mais extremo, sem ter de recorrer ao mau gosto, à misogínia ou à exibição de joias bregas.
O disco baseia-se no estilo sentimental de pioneiros como Ghostface Killah e inclui faixas como “Blueprint (Momma Loves Me)”, que sublinha as bravatas típicas do rap com uma rara vulnerabilidade. Tendo como produtores Kanye West e Just Blaze, Blueprint traz uma chama como não se ouvia desde a era soul dos anos 80.
Contudo, é a sagacidade de Jay-Z que transforma o álbum em algo único, transitando entre as coberturas de luxo e as ruas. Se lhe fosse concedido um superpoder, disse o rapper, escolheria a habilidade de “colocar os ricos no gueto e os pobres onde estavam os ricos, para que todos entendessem como vivem os outros. Depois tiraríamos as conclusões disso”. Em The Blueprint, seu desejo quase se torna realidade: “All I Need” descreve o estilo de vida de um milionário tão sucintamente como faria o próprio Frank Sinatra; “Blueprint (Momma Loves Me)” narra uma infância miserável tão bem quanto Dickens, enquanto “Never Change” descreve a vertiginosa transição de Jay de um extremo ao outro.
Blueprint (Momma Loves Me):







