Sempre associado a igrejas, o órgão estava fora do circuito da música popular e era visto como um primo quadradão da autoharp e do acordeão. Então apareceu Jimmy Smith, que se dedicou ao instrumento a partir de 1954, quando a Hammond lamçou o modelo B3, relativamente compacto.
Smith transformou a péssima imagem do órgão com sua emocionante síntese de bepop, blues e gospel, fazendo uma música arrebatadora. Ele criou um novo estilo – o soul jazz – e seus muitos discípulos formaram bandas em torno do Hammond B3.
Back At The Chicken Shack é, sem dúvida, o melhor álbum de Smith, com um balanço incansável, harmonicamente sofisticado e autêntico. Gravado em 25 de abril de 1960, o disco revelou o saxofonista Stanley Turrentine, mas também foram cruciais as contribuições da guitarra elegante e econômica de Kenny Burrell e da bateria irresistível de Donald Bailey.
Seja depurando um velho clássico como “When I Grow Too Old To Dream” até suas notas essenciais, seja num ritmo crescente como em “Minor Chant”, o quarteto parece pronto para explodir. Quase tão impressionante como a música é a capa do álbum. Em vez dos trabalhos bem ao jeito taciturno da Blue Note feitos por Reid Miles, com sua característica sobriedade, Back At The Chicken Shack mostra uma divertida foto de Smith com uma camisa vermelha, sentado na frente de um galinheiro, tendo um cão galgo a seus pés.

